Que acontecimentos este trânsito trará
no plano social? Como sucede habitualmente, não é simples inferir as muitas
cenas possíveis que podem construir-se no período da passagem de um planeta
por determinado signo, mais ainda em um mundo cambiante como o atual.
Para começar a vislumbrar o tom do trânsito, vale recordar
que durante o lapso de sua estadia em Capricórnio, Plutão realizará durante
o ano 2020 uma nova conjunção com Saturno, o regente do signo
Se adicionarmos que o trânsito atual se realizará dentro
do ciclo inaugurado pela conjunção anterior de ambos os planetas em 1982,
aos 27º Libra –signo de exaltação de Saturno- é possível perfilar características
implicadas no jogo Saturno/Plutón.
Saturno e Plutão, senhores do limite.
No sistema solar vigente durante milênios, Saturno era o limite de um sistema
solar considerado como um modelo estável, constante, invariável e permanente.
A partir do século XVIII, o descobrimento de cada um dos transaturninos
foi uma revolução do paradigma astronômico e, portanto, da relação do homem
com o cosmos.
Quando em 1930 Plutão
foi descoberto, o planeta se converteu no novo limite, embora algo exótico devido a sua órbita
irregular. Mas apesar de tudo, cumpriu sua função de “senhor da soleira”
entre o sistema solar e “o vazio”. As sucessivas observações o revelaram
cada vez menor, de sistema dual, até que em 2006, os membros da União Astronômica
Mundial reunidos em Praga, classificaram-no como planeta anão, mais
um dos múltiplos corpos celestes que conformam o chamado cinturão do Kuiper.
De maneira que Plutão desfrutou durante
algo mais de 70 anos da categoria de suposto limite, suposto planeta, suposto
borde, categoria perdida ultimamente. Enquanto isso, a sociedade
foi encontrando-se com situações difíceis de demarcar, da teoria do caos e
a incerteza, à quebra dos princípios racionais sustentados pela Modernidade.
A era Reagan
Enquanto Saturno e Plutão se preparavam para realizar sua conjunção em
novembro de 1982, já fazia dois anos que Ronald Reagan ocupava a Casa Branca,
posto ganho com 50,75% dos votos.
Como sucessor da opaca presidência do C. Carter, Reagan
iniciou seu mandato produzindo uma recessão econômica importante para frear
a crescente inflação. A partir de 1983, sua política em geral e a economia
em particular pareceram ganhar parte do terreno perdido na década anterior.
O governo de Reagan –excelente
comunicador e habitual conferencista do ideal capitalista para a empresa General
Electric- girou sobre cinco pilares principais:
- liberalismo econômico
-
recortes fiscais
-
redução dos serviços do estado protetor
-
moral conservadora e marcadamente religiosa
-
política externa agressiva, determinada por um anticomunismo visceral e sustentada
em uma reorganização da estrutura político-militar dos Estados Unidos em todo
o mundo
A este homem singelo, franco, otimista, semelhante a
um bom xerife do longínquo oeste -papel tantas vezes protagonizado como ator-
devemos a frase “O império do mal”, para referir-se ao comunismo.
Em 1984 obteve sua reeleição presidencial com 58,77%
dos votos. A Era da globalização e do neo liberalismo
como ideário ocidental se instaurou plenamente.
Retomando a interpretação astrológica
Além disso, do cenário político dos anos 80, pode-se tentar outra aproximação
ao significado do trânsito próximo, refletindo sobre as características do
elemento Terra, e sua acentuação sobre o fator do rendimento, seja na área
material, intelectual, emocional ou ético.
Chegados a este ponto, consideremos
as qualidades do elemento Terra em geral e de Capricórnio em particular.
A Terra se caracteriza por obrar e atuar em uma relação
estreita e imediata sobre a realidade, pelo qual a experiência se converte
em um valor primordial e o conhecimento da história, como ensino global e
compartilhado por um numeroso grupo humano, em uma vislumbre do possível suceder.
O princípio de julgar os fatos consumados
e suas conseqüências como úteis ou daninhas para a comunidade dão o perfil
de seu critério jurídico.
O signo cardeal da triplicidade de Terra –Capricórnio-, em sua velha representação babilônica
de cabra-peixe, alude à dualidade possível da existência: para as profundidades
do abismo –água- ou para as alturas –montanhas-; dito em outros termos, Capricórnio
expõe a possibilidade da evolução superadora ou
a involução reiterativa de um novo ciclo de aprendizagem.
No corpo humano rege os joelhos, articulação que permite
ao homem a elevação. Mas também aqui se percebe um ponto de inflexão, já que
o indivíduo tanto pode se rebaixar para elevar aos outros como pode rebaixar
aos outros para elevar-se a si mesmo. No primeiro caso –evolutivo- encontramos
a figura paradigmática do Jesus, cujo nascimento se celebra sob o signo do
solstício. No segundo caso –involutivo- podemos pensar em César ou em qualquer
autoridade de alguns dos impérios que ao longo da história, chegaram a seu
ponto culminante de expansão e decaíram até seu desaparecimento.
De maneira que uma primeira conclusão sobre
do trânsito de Plutão –planeta que também joga traçando situações extremas-
sobre Capricórnio, pode relacionar-se com a idéia de um cruzamento de caminhos
para a humanidade.
Enquanto Plutão se deslocou por Sagitário,
sua influência de domínio subterrâneo se expandiu –em terras de Júpiter- até
converter-se na ideologia triunfante no mundo ocidental globalizado.
Agora, nos domínios de Saturno, o senhor
do tempo e da experiência, deverá enfrentar-se à prova da realidade de seus
propósitos.
Michel Foucault e Gilles Deleuze
Apelamos a teorizaçao destes dois pensadores
franceses, autores de um profundo estudo sobre os modelos sociais que da perspectiva
astrológica poderíamos denominar sociedade saturnina
–sociedade disciplinadora- e sociedade plutoniana –sociedade de controle-.
Em seu texto "Pós-escrito
sobre as sociedades de controle"(1992), Gilles Deleuze (1925/1995) vislumbrou
que a sociedade contemporânea não se constitui mais desde fundamentos disciplinadores
-o confinamento, o fechamento, como afirmou Michel Foucault (1926/1984)- mas
sim do controle contínuo e das comunicações instantâneas em espaços abertos.
A sociedade de controle parte de outros princípios:
opera por um controle ao ar livre, substituindo o modelo disciplinador que
exercia seu poder sobre um sistema fechado.
Deleuze denominou este novo poder, como poder
de modulação contínua, onde o indivíduo tenta se adaptar a supostas normas
não enunciadas dentro de um marco categórico.
Enquanto nas sociedades disciplinadoras o
objetivo era submeter os corpos a determinados modelos e preceitos, nas sociedades
de controle, ao contrário, os moldes e os modelos não chegam nunca a constituir-se
total e definitivamente, assumindo modalidades mais fluídas, flexíveis e tentaculares.
A sociedade disciplinadora forjava protótipos
definidos: pai de família, aluno, soldado, operário e circuitos rígidos: a
casa, a escola, o trabalho. A sociedade de controle, em troca, funciona com
redes instáveis, fluídas, carentes de borde.
O menino ou jovem não tem um horário exato
para retornar à casa, mas o seguem com o celular.
Alguns condenados não estão encarcerados, mas sao
controlados através de uma pulseira magnética. Ha algum tempo atras, quem não estava doente estava são, agora existem os
grupos de riscos que devem fazer controles periódicos. Os estudos genéticos
informam sobre possíveis enfermidades e os tratamentos adequados preventivos
para males ainda inexistentes.
A frase inocente e cotidiana: "Sorria
voce está sendo filmado” se
assemelha a normalização de um estado de sítio generalizado. As câmaras de
vigilância onipresentes são a metáfora da sociedade de controle.
A este desejo de ver, observar, vigiar e
dominar se corresponde um crescente desejo impudico de submeter-se à exibição,
de mostrar-se, de oferecer-se sem tabus ao olhar dos outros.
"A vida é uma prisão"
afirma Negri (2002). Para o Paul Virilio
(1997) vivemos “prisioneiros a céu aberto”.
A sociedade de controle suprime a dialética
entre aberto e fechado, entre dentro e fora, entre privado e público, já que
aboliu a própria exterioridade. Para o novo capital globalizado não existe
mais o exterior –e é obvio, tampouco o interior-.
Ignoramos se estivermos prisioneiros dentro
da existência cotidiana ou se estamos excluídos do sistema. Vivemos uma sensação
deslocada entre sair e entrar, entre pertencer e nos isolar.
Padecemos a exploração capitalista do trabalho
produtivo, mas também seu contrário: a ausência dessa exploração
–o desemprego-.
O trabalhador disciplinado do século passado
foi convertendo-se em um consumidor insaciável. Já não se trata de adaptar-se
a obedecer normas, mas sim a consumir serviços ofertados:
da dieta à vida sexual e esportiva. O sujeito não se submete a regras, mas
sim investe, querendo
fazer render seu corpo, sua sexualidade, sua comida, seu tempo, sua informação
para se rentabilizar.
A empresa substitui a fábrica, suprimindo
a produção em vez de organizá-la. É uma revendedora de produtos, uma gestora
de trabalho, vende serviços por meio de tercerizaçao.
Neste sentido, os valores máximos da mercadoria na sociedade de controle são
o prestígio, a informação, o conhecimento especializado. Bem-vindos
ao reino do espetáculo, da produção de celebridades descartáveis, de imagens
efêmeras. A dinâmica prevalecente é a de uma sociedade de refugos.
Nas sociedades disciplinadoras o sujeito
passava de um tempo de trabalho a um tempo de prazer, de um tempo de prazer
a um tempo de consumo, de um tempo de consumo a um tempo de estudo, etc.
Nas sociedades de controle estas fronteiras
se esfumaçaram. O tempo do trabalho e o tempo da vida se mesclam. Por um lado
a vida se torna inteiramente trabalho: leva-se o trabalho para casa, tudo
é trabalho. Por outro lado o trabalho se torna cada vez mais vital, acionando
dimensões da vida antes reservadas à esfera pessoal.
O espaço doméstico se torna "produtivo",
de modo que a empresa coloniza a privacidade do tempo livre.
A sociedade de controle -sem fronteira entre
as instituições- opera por fluidez e modulação, prescindindo das instituições
antes responsáveis pelo disciplinamento do sujeito.
Atualmente não é o dinheiro o que constitui
a mercadoria do capitalismo, mas sim a subjetividade. O capital, através do
consumo, apropria-se da subjetividade em uma escala nunca antes vista.
Esta passagem da disciplina ao controle produz movimentos de
desterritorializaçao,
mas sem abrir um novo território aonde tornar-se consistente. Assim
o ritmo da evolução se vê violentado cada vez mais pela velocidade vertiginosa
das transformações culturais e das mudanças sócio-econômicas.
Astrologicamente, Saturno
–enquanto limite e borde – se relacionou com o conceito de rigidez,
disciplina, lei, hierarquia, esforço, características que permitem associá-lo
com a sociedade disciplinadora que descrevia Foucault.
Saturno nos remete ao princípio da autopreservação, seja através de atitudes defensivas, seja
através da ambição que leva ao cumprimento do dever com o conseguinte sentimento
de confiança e segurança. Relaciona-se com a forma, a estrutura, a estabilidade
que provê a lei, as tradições culturais e sociais, as figuras de autoridade,
a função paterna. Ajuda a aprender da experiência -"a letra com sangue
entra"- outorgando seriedade, cautela, sabedoria de vida, paciência,
economia, atitude conservadora, responsabilidade.
Plutão, mitológicamente,
o senhor dos infernos se relaciona com o oculto, poderoso e invisível. A máfia
em suas diversas versões, o capital que move os fios do poder –plutocracia-
são representações sociais de Plutão.
No plano pessoal produz situações limites,
crise, temores incertos, difíceis de pôr em palavras, sensação de ameaça indefinida.
A descrição da sociedade de controle que
realiza Deleuze parece bastante aparentada com este planeta da incerteza,
onde sua categoria de “suposto” planeta parece haver contagiado a humanidade:
“supostos” colaboradores do Al Qaeda, prisioneiros em “supostos” cárceres
ilegais, à espera de “supostas” acusações e “supostos” julgamentos.
A queda do Muro do Berlim é a cena paradigmática
do desmoronamento de um mundo ordenado – saturnino- onde os bons se diferenciavam
dos maus. O atentando às Torres Gemeas manifesta
uma realidade – plutoniana - onde o perigo se faz
presente em um lugar impensável.
A brecha entre a guerra fria e o terrorismo,
é uma brecha semelhante a que existe entre Saturno e Plutão e entre a sociedade
disciplinadora e a de controle.
Resistindo à sociedade de controle
Pensando em Plutão como regente de Escorpião, senhor
da morte e dos abismos profundos, que em sua passagem por Capricórnio parece
fazer da inquietação, a desconfiança e o temor uma política de Estado, vale
perguntar-se como nos protegemos da ameaça constante, surda e ilimitada?
Se na sociedade saturnina
ou disciplinadora, o indivíduo encontrava no lar, rodeado pela família um oásis onde
relaxar e escapar das regras rígidas –Câncer-, vale pensar em Touro –e Vênus,
seu regente- como um antídoto para tanta ameaça escorpiana.
A mecânica celeste oferece um importante
ponto de reflexão. A revolução de Saturno é similar em anos, à realizada
em dias pela Lua. Igualmente, a translação de Plutão é semelhante em anos,
aos dias da revolução de Vênus ao redor do Sol.
Em “Esquema de Psicanálise” (1938),
Freud indica que “o princípio subjacente às pulsoes
de vida é um princípio de ligação (…) A pulsão de morte, ao contrário, apóia-se em romper as
relações e por conseguinte, destruir as coisas.”
Conceitos que nos permitem pensar, desde
outra perspectiva, sobre a alternativa da pulsão de vida –Eros, Vênus- em
contraposiçao a pulsão de morte –Tanatos, Plutão-.
Enquanto Vênus nos oferece o sentido de valor,
aquilo que se torna importante
pela ligação afetiva mantida com o objeto, Plutão nos enfrenta meramente à
idéia de preço e transação.
O erotismo -sustentado no desejo do sujeito-
é inimigo natural da pornografia
–domínio exercido sobre fragmentos de corpos.
E assim nos encontramos com uma paradoxo
contemporânea. Enquanto nas últimas décadas os costumes sociais facilitaram
as relações íntimas entre os seres humanos–do mesmo ou distinto sexo- a prostituição
aumentos à cifras impensáveis. Os corpos –pura carne
carente de subjetividade- sao oferecidos, comprados,
vendidos, traficados, dominados, violados, assassinados.
O discurso “politicamente correto” mascara
muitas vezes a carência do sentimento venusiano de nos ver refletidos no próximo.
Olhando o futuro desde o passado
Nos trânsitos imediatamente anteriores aos de Plutão
por signos de Terra -Touro e Virgem- podemos observar que o elemento apresenta
uma força concreta da realidade, resistente a qualquer tentativa de interferir
no ritmo lento e pausado dos acontecimentos.
As tendências revolucionárias dos períodos
de Plutão em Terra se encontraram com a obstinação de um mundo maciço, pouco
predisposto a ser mobilizado por ventos de renovação.
Plutão em Touro
(1852-1883/84)
O trânsito concluiu com a Conferência do Congo-celebrada em Berlim-, onde
a Europa formalizou seu domínio sobre as sucessivas anexações de colônias
no continente africano.
Mas enquanto a Europa estendia seus tentáculos
coloniais, se rasgava em guerras internas, uma delas levaria França a capitular
diante do Império Prusiano.
O mal-estar da derrota terá uma manifestação
impensada na primavera de 1871. Os cidadãos de uma Paris com suas ruas decoradas
de bandeiras vermelhas e pretas movendo-se ao vento, decidem autoproclamar um governo
popular. Os dois meses de vida da Comuna produziu
notáveis mudanças sociais, embora não se propuseram assaltar o estado central.
Seus ideólogos –comunistas,
anarquistas e socialistas- expuseram uma economia mais justa e eqüitativa,
um governo autônomo, a separação da igreja e do estado, o ensino laico e universal,
melhoria nas condições de vida dos operários e a possibilidade dos trabalhadores
de aceder a cargos públicos e administrativos.
Apesar de receber ajuda internacional, a
Comuna foi destruída pelo exército francês,
Apesar de o governo de Paris ter terminado
em um fracasso político e um banho de sangue, foi um marco na história das
lutas revolucionárias e o mundo não foi mais o mesmo.
Plutão em Virgem
(1956/57-1971/72).
De
uma maneira geral este período acompanha a jubilosa e buliçosa década do 60, cujo acontecimento paradigmático foi em maio de 68,
com a guerra do Vietnam e as guerras
pela independência nas colônias africanas como plano de fundo.
Passaram-se quarenta anos desde aquela tumultuosa
primavera que encontrou milhares de jovens manifestantes protestando pelas
ruas da França, de Praga, e do México. Embora cada sociedade tenha dado aos
movimentos estudantis a sua própria cara, há uma lembrança unificada no imaginário
coletivo: o ímpeto de toda uma geração convencida de que a revolução se encontrava
na próxima esquina.
A sublevação aconteceu com o ciclo da conjunção
Urano/Plutão em Virgem–vigente desde novembro de 1965, quando fizeram o primeiro
contato partiu.
A presença de dois planetas tão carregados
de questionamentos e de necessidade de formular novos valores no signo da
vida rotineira, exemplificam grande parte dos conteúdos
dessa revolta: sua falta de ambição de poder político e sua profunda transformação
nos costumes cotidianos.
Recordemos que o ocidente desfrutava da expansão
de uma economia dinâmica, com aumento de produtividade e forte mobilidade
social. Enquanto isso o bloco socialista acumulava potência graças ao trabalho
disciplinado de milhões de indivíduos.
A redução do tempo de trabalho
e um maior espaço de liberdade para o ócio criativo centra
as demandas dos jovens, tanto no mundo capitalista como no comunista.
A revolta questionou a idéia de funcionar
como órgãos disciplinados, dentro de um todo mais ordenado
–o corpo social-. Em altares de uma expressão individual, se dinamita
o conceito virginiano de utilidade, da inter-relação de cada componente do
sistema. O sentido de eficácia e o sistemático ajuste metódico de Virgem o
leva a construir guiado pelo princípio de uma completa harmonia
de todas as partes. Representa o ideal da organização humana físico/espiritual
na qual todos os integrantes são nutridos entre si. O corpo -em todas suas
partes e mútua coordenação- é reconhecido como o arquétipo da ordem humana
e divina.
Por aquela época começa a articular-se entre
os jovens rebeldes um discurso social a partir de duas palavras herdadas das
correntes libertárias da Comuna de Paris: desregularizaçao e autonomia, conceitos
impugnadores dos papéis com que a sociedade emoldura a cada indivíduo. Os
anos 60 pregaram a autonomia da dinâmica social em relação ao domínio estatal
autoritário, tanto na cultura hippie, como nas comunidades e nas manifestações
de ruas.
Nas décadas seguintes, essas bandeiras serão
tomadas pelo liberalismo e reduzidas ao marco econômico da competitividade.
Enquanto se reclamava a liberdade de não ficar preso por toda a vida ao trabalho
na fábrica industrial, a desregulamentação do duo Reagen/Thatcher respondeu com flexibilidade e fragmentação
trabalhista.
Os jovens colocaram em marcha um processo
arriscado de desestabilização social, de rejeição ao mundo disciplinado –
capitalista ou comunista-, que nas maos da economia
de livre mercado se converteu em desregularizaçao ao extremo, liberdade de
empresa frente a qualquer controle estatal, destruição da proteção social,
corte do gasto público, precariedade e diminuição da produção. O indivíduo ficou livre, mas também desprotegido
das condições obtidas durante décadas de lutas sindicais.
Conclusão
Embora os trânsitos de Plutão pelos signos de Terra não
tenham derrubado os grandes poderes mundiais, quebraram seu poder ideológico
hegemônico.
Assim no próximo ciclo podemos esperar uma ruptura no
imaginário social, questionando assuntos que hoje parecem intocáveis.
Talvez possamos nos encontrar na primavera,
seja em Paris ou em outro lugar, respirando os ares de liberdade e autonomia
pessoais que hoje resultam bens escassos.
Rio de Janeiro, 28 de Agosto
de 2008.
Proibida
a reprodução parcial ou total deste artigo.