Espaço do Céu - Astrologia
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Celisa Beranger
Entrevista a Richard TARNAS
Autor(a):
Victor M. Amela entrevista Richard Tarnas
em
29 de março de 2009
A tradução do livro “Cosmo e Psique” produziu uma série de comentários nos periódicos espanhóis. Decidimos divulgar algumas repercussões que o texto teve na imprensa espanhola por considerá-lo extremamente importante para o meio astrológico.
Agradecemos ao colega Gabriel Gutiérrez, pela gentileza de nos fazer chegar este material.
Tudo respira em uníssono
Desde a publicação, em 1991, do livro “A Paixão da Mente Ocidental (publicado no Brasil pela Bertrand), Richard Tarnas é lido e discutido no círculo anglo-saxão. A editora espanhola Atalanta , publicou Cosmos e Psique, extenso livro que documenta a cartesiana cisão do cosmos, utilizada para isolar a Astrologia. Mas nos dias de hoje alguns voltam a intuir que não há uma psique dentro e um cosmos fora, há uma dinâmica integrada que a Astrologia pode traçar em seus mapas.
“Para mim, por hora, basta-me ver a astrologia como prova da fértil imaginação de nossa psique, insaciável leitora do cosmos…”
“Mas também é certo que nossa imaginação é a eclosão do muito imaginativo do cosmos..”.
Depois de amanhã faço 58 anos. Nasci em Genebra e vivo na Califórnia. Sou doutor em Filosofia e Psicologia por Harvard. Sou casado e tenho dois filhos, de 33 e 20 anos. Sou progressista liberal.
Tenho um sentido profundo do divino, que descubro desdobrando-se na psique, no cosmos”.
Os astros Influem em minha vida?
Você e eles estão conectados.
E determinam o que faço?
Não é isso. Verá: que horas são?
Doze e meia…
E como soube disto?
Olhando aquele relógio.
E os ponteiros daquele relógio causam as doze e meia?
Não
Pois assim acontece com os astros: não causam nada, os ponteiros de relógio nos quais podemos ler as horas são os arquétipos do cosmos.
Mas uma coisa é o cosmos, e outra, eu.
Ah, aqui você expressa a paixão da mente ocidental que quis despender-se do cosmos até sentir-se autônoma e considerar o cosmos como um mecanismo externo e inanimado. Algo que é absolutamente irreal!
Por que?
Porque somos cosmos em forma humana! Nós somos o modo através do qual o cosmos se faz consciente de si mesmo. Eu gosto de como o formulou o filósofo Plotino (III d.C.): “Tudo respira em uníssono”.
Mas Saturno é uma pedra bruta inanimada, enquanto que eu sou minha psique.
O que você chama “minha psique” não é mais do que a respiração do cosmos. Cosmos e psique são duas formulações de uma mesma e única realidade. E as conjunções dos astros viabilizam a dinâmica cósmica, quer dizer, a dinâmica arquetípica da psique. Isto é o que estuda a astrologia arquetípica.
Ela é muito diferente de outras astrologias?
Seu enfoque esta de acordo com os atuais enfoques da psicologia transpessoal, da física quântica, da teoria do caos e dos fractales, a ecologia e Gaia, a filosofia holística…
Há lugar para a liberdade pessoal?
É precisamente a visão participativa do homem no cosmos: cada um de nós é o cosmos atuando. Há uma dinâmica cósmica, uma melodia que cada um interpreta com um estilo. Veja o Hitler e o Chaplin.
O que acontece com Hitler e Chaplin?
Nasceram quase ao mesmo tempo e compartilharam aspectos de suas cartas natais, mas podemos ver como foram tão distintas as maneiras como os desenvolveram!
Em que eles se pareciam?
Ambos tinham dificuldades com a autoridade, tendências tirânicas, potenciais para as artes, atração por jovens emocionalmente imaturos, e grande capacidade de comunicação.
Fale-me de uma dinâmica cósmica: como funciona, com que mecânica?
É um mistério! A ciência não alcança isto.
Para que serve a astrologia arquetípica?
Para intuir a dinâmica profunda das coisas, como o bom surfista intui a dinâmica das ondas: compreender o passado e o presente ajuda a surfar melhor na onda do futuro.
Desde quando há astrólogos?
Sempre, são observações antiquíssimas. Antes de ser açoitado por sustentar que a Terra orbitava ao redor do Sol, Galileu tinha sido açoitado por ser astrólogo!
Eu não sabia disso…
A Igreja se assustou com as precisas predições de Galileu: onde ficava a vontade divina se tudo estava nos astros?
Houve outras mentes eminentes interessadas na astrologia?
Platão, Aristóteles, Dante, Goethe, Yeats, Jung, Kepler.! A curiosidade de Newton pela astrologia o conduziu à matemática. Nos momentos mais criativos do Ocidente a astrologia sempre aflora.
Como você chegou à astrologia?
Durante umas indagações psicológicas junto com o Stanislav Grof nos assombrou a constatação de como cartas astrais indicavam episódios de transformação psíquica. Então decidi estudá-la, sem considerar o incômodo que isto causa, como fizeram os que vituperaram contra Copérnico…
Que evidências o fascinaram mais?
Tantas… Impressiona-me a correlação entre as configurações planetárias e a era axial.
O que é a era axial?
Os séculos VI e V a.C. são assim denominados em função da formidável eclosão vivida pela humanidade: Sócrates, Buda, Confúcio, Pitágoras, Lao Tse, Zoroastro, jainismo, os profetas hebreus… Não há um período histórico igual!
E o que nos dizem os astros a respeito daquilo?
Urano, Netuno e Plutão estavam alinhados de modo quase perfeito. Observei que os alinhamentos entre dois destes três planetas correspondem sempre a revoluções de consciência. Os três de uma vez…
E como andam agora estes planetas?
Plutão e Urano se alinham, o que assinala inovações criativas e culturais.
Possivelmente como esta que postula você?
As mudanças de paradigma não são de um dia para outro, vão impregnando as consciências… Copérnico fazia esta mesma reflexão a respeito de seu revolucionário giro.
O ano de 2012 será apocalíptico, dizem…
Pode acontecer algo que venha colorir o processo de transformações no qual já nos encontramos, como antes escolhermos o ano de 1789 para simbolizar aquele extenso processo revolucionário.
Que devo esperar dos horóscopos da imprensa?
Só entretenimento. Eles focalizam o Sol no momento do nascimento: isto equivale a querer abranger o estado integral de nosso organismo observando apenas o coração.
Tem sentido dizer: “Sou Libra”?
É como se você dissesse “sou jornalista”: isto não expressa à complexidade da sua pessoa.
Somos leitores do cosmos: a astrologia é uma leitura, e ler é criar. Sim?
Ficou bonito, mas não entenda o cosmos como uma projeção mental: o desenvolvimento da consciência é o desenvolvimento do processo de auto-revelação do cosmos.
VANGUARDA, 19 de fevereiro de 2008.
O filósofo Richard TARNAS
“Há uma íntima conexão entre as coisas dos homens e os planetas”
“A física quântica mostrou que o edifício da razão tinha gretas”
Os planetas estavam alinhados da mesma maneira no dia em que Jimi Hendrix arrasou ante as multidões com sua forma heterodoxa de tocar o violão e o dia em que Viena se rendeu aos pés de Beethoven pela profundidade de seus concertos de piano. Explica-o Richard Tarnas, professor de filosofia e psicologia na Califórnia, formado em Harvard e doutorado pelo Instituto Saybrook. Certamente, um tipo pouco habitual no mundo acadêmico.
Em “Cosmos e Psique” o que Tarnas defende é que tudo está relacionado e que há uma íntima conexão entre o microscópico e o macroscópico, entre as coisas das criaturas humanas e a marcha dos planetas, e insiste em assinalar a extrema complexidade do mundo e a pluralidade das perspectivas através das quais pode ser analisado. O livro acaba de sair pela Atalanta (em espanhol), editorial Jacobo Siruela que o pôs em marcha deixando para trás o selo que leva seu nome. Como já fez antes, Jacobo está aberto ao desafio de propostas pouco convencionais nas quais a razão faz conexão com outros saberes.
Tarnas considera que nos tempos atuais reina uma profunda insatisfação e os homens não encontram uma maneira coerente para explicar as grandes questões.
“O reinado da razão foi avassalador, e foram tantos os lucros tecnológicos que propiciou que parecia que se impunha um progresso irreversível”, explica.
