“UMA SÓ VEZ NA VIDA” - O Trânsito de Plutão em Capricórnio no Mapa Natal
(Palestra apresentada no X Simpósio do SINARJ –
24/08/2008)
Jerónimo Brignone (Argentina)
Apesar dos trânsitos
dos planetas geracionais serem comumente considerados com relação a seus aspectos aos planetas natais, ou por
sua passagem através das casas,
seu trânsito pelo signo propriamente
dito, que abrange toda a humanidade,
costuma ser considerado quase que exclusivamente segundo a perspectiva da Astrologia Mundial.
No entanto, nossa
experiência pessoal mostra que em tudo o que se refere ao processo a ser vivido durante esses anos, também pessoalmente o trânsito pelo signo
apresenta possibilidades importantes de
leitura, de acordo com a posição de Capricórnio, bem como a de seu regente, Saturno, e ainda a posição de Plutão no mapa natal.
Hipótese gerada pelos Trânsitos:
O planeta que transita representa um processo (que geralmente provem do exterior) que, através das experiências e vivências simbolizadas pelo
planeta ou cúspide natal transitada OBRIGA o aprofundamento e a integração da forma mais madura e pessoal dos conteúdos do
signo que esteja sendo transitado.
Os significados são fornecidos pelos aspectos, a posição por signo, a casa natal e a(s) casa(s) regidas pelo planeta que transita, bem como
os aspectos e a posição por signo e casa natal do regente do signo que recebe o trânsito.
A importância
essencial do signo corresponde a
sua integração como parte da estrutura
essencial que sustenta, em
sua forma arquetípica, todo o
sistema astrológico.
Os signos simbolizam
a expressão do indivíduo, sob a forma de mandala, no tempo e no espaço, e são
experimentados como as motivações e sentidos
mais profundos que nos constituem.
Se Capricórnio é, no caso deste trânsito,
o signo que leva a pessoa a ser, de
forma mais madura e pessoal, aprofundada e integrada, quais são
os significados básicos que podemos
associar a ele?
Em CAPRICORNIO temos:
Construção de uma identidade social pessoal
Formação da estrutura no e para o mundo
Assumir a responsabilidade pessoal
Trabalho para a sociedade.
Plutão, o planeta que neste caso transita, mobilizará
Capricórnio do modo e com os conteúdos que lhe são
característicos.
Entre outros, podem
ser considerados:
PLUTÃO
Ação social
transcendente (oitava superior de Marte)
Transformação (Escorpião, VIII)
Crise (VIII)
Ocultação (o rapto de Perséfone e a invisibilidade de Hades)
Revelação explosiva (“o vulcão”)
Legado
Se vamos considerar que, em seu trânsito pessoal através do Mapa Natal, Plutão arrasta não só os conteúdos de sua posição por casa, signo e aspectos natais, bem como as casas e
(consideramos aqui que, desde seu
descobrimento, a regência de Plutão é
posta em questão).
Qual signo(s) Plutão
rege?
Os autores mais tradicionais, que se dedicam à
recuperação do passado helenístico e medieval, preferem não definir regências para os planetas transaturninos
(geracionais).
O argentino Spicasc
(Carlos Raitsing) dizia que, segundo suas observações, Plutão tinha alguma forma de regência
sobre Capricórnio, bem como Saturno sobre Escorpião.
Assim como no sistema
clássico todo planeta rege um signo diurno (masculino) e outro noturno
(feminino), autores como Joanne Wickenburg (Kepler College) postulam a dupla regência de Urano, Netuno e Plutão, lógica segundo
uma perspectiva astronômica, de simetria e do simbolismo.
As regências originais mais populares foram
estabelecidas de acordo com a coincidência das polaridades, assim como pelo
simbolismo próprio dos signos: Urano recebeu
a regência de Aquário porque é
claramente diurno, e Netuno e Plutão, sendo noturnos, as de Peixes e Escorpião
respectivamente.

Além disso, Plutão é tradicionalmente considerado a “oitava superior” de Marte, o que reforça a possibilidade de sua co-regência diurna sobre o signo
de Áries.
Esta condição está apoiada, tendo em vista o simbolismo, na idéia de
ressurreição e re-início do ciclo Zodiacal (após Peixes), bem como em seu
individualismo extremista.
Oskar Adler diz que Urano é o “reflexo” de Saturno (a espanhola Pepa
Sanchís o chama seu “alter ego”), Netuno o de Júpiter e Plutão o de Marte.
Por isso, nesta exposição, usaremos como hipótese a co-regência de Plutão
com relação a Áries.
A posição natal de Plutão indica o papel mais significativo que um
indivíduo pode representar dentro de sua sociedade, e a de Saturno os
mecanismos apropriados e a maneira idônea de conseguir realizar o papel social
indicado por Plutão, posto que ambos são “amigos”… (Jeff Green)
Vale lembrar que os
dois são o limite
(invisível e visível) de nosso sistema solar
Considerando que
ambos os planetas são o limite tradicional
e visível (Saturno) e o moderno e invisível a olho nu (Plutão) do Sistema
Solar, os dois são particularmente associados com:
A Sociedade como estrutura na qual participamos.
A Morte (limite existencial do
ser humano).
Os Legados (o que fica de nossa efêmera passagem por este plano).
Ambos têm a ver com a constituição
do Eu na Sociedade.
Ambos são exteriores (limite), o que se vê da postura pessoal frente aos
demais (Saturno e sua analogia com a pele e a casa X; Plutão e a erupção
do vulcão interior o expelido pelo
intestino grosso -Escorpião- que será o “que é pago” e que nutrirá a vida coletiva
futura, como ocorre na Natureza)
Ao mesmo tempo, por
seu simbolismo tradicionalmente escuro (Plutão
no Hades, Saturno expulso do Olímpo), ambos têm a ver com processos de introversão e ocultação.
O trânsito de Plutão pela Casa X (análoga a Capricórnio)
segundo Jeff Green
O processo começa com uma
auto-reflexão, na qual são examinadas as dinâmicas internas que vinham criando
as estruturas externas e a realidade da própria vida.
Isto pode levar prontamente
à eliminação do que foi avaliado como inútil.
Aceitação da própria
responsabilidade e culpa.
Surgimento de novos
desejos e esquemas evolutivos no marco das responsabilidades e obrigações já
existentes antes do inicio deste processo.
Cansaço, sentimento de
vazio e insignificância pessoal.
Revisão da capacidade de
crescimento que a atual ocupação profissional oferece (por isto, possibilidade
de conflitos com superiores ou subordinados: “o Pai”- “Satanás vs. Jeová”).
Tentação de minar o poder
ou a autoridade ameaçadora de outros.
Possibilidade de
promoção, maior responsabilidade e poder.
Reinhold Ebertin, Ponto Médio Plutão/Saturno
Trabalho duro e pesado, atividade silenciosa, êxito na realização de novos planos, invenções.
Outras pessoas impedem
que, o êxito merecido pelas próprias obras, possa ser colhido.
Energia auto-destrutiva.
Perda da própria fortuna
ou posses
Temáticas vinculadas ao trânsito
Os aspectos aportam o significado e a posição por signo e casa natais do planeta que transita (Plutão), incluídas as casas que rege (cúspides em Escorpião e Áries), bem como a posição por signo, casa e aspectos natais do planeta regente (Saturno) do signo (Capricórnio) que recebe o trânsito.
O conjunto de planetas e cúspides natais que será mobilizado
pelo planeta que transita, especialmente por conjunção.
A associação de Escorpião com a transgressão e o
ódio (edípico? “Matar o Pai”: segundo Freud) inclui a probabilidade de
conflitos a esse respeito.
A combinação de ambos invoca o arquétipo
judaico-cristão de Satanás confrontando-se com Jeová, o “Pai Terrível”.
Do ponto de vista vivencial, os trânsitos de Plutão
são experimentados:
“No corpo” (visceralmente, como um tema “intestino”)
com grande intensidade e sensação de perigo que tem matizes “de vida ou morte”
no qual há um antes y um depois definitivo (“sem retorno”: morte e
ressurreição)
O trânsito de Plutão por Capricórnio é
particularmente importante para todo ser humano porque:
Os dois regentes são afins,
Têm importantes conseqüências no Destino do
indivíduo,
Plutão ao ingressar em Capricórnio cruza um dos
pontos do eixo de solstícios, a “Cruz Arquetípica”, do Zodíaco.
Por outro lado, segundo nossa observação e a de
muitos astrólogos, os efeitos do ciclo completo de um trânsito por um signo (
Assim como, de um modo diferente e como se fosse uma
conclusão do processo, no momento em que está abandonando o signo.
Os casos que apresentaremos ilustrarão esta
observação empírica, de acordo com as características de cada Mapa Natal, o
simbolismo envolvido e a vida à qual corresponde.
As Três
Últimas Passagens de Plutão por Capricórnio
Século
XVI - 02/01/1516 –
20/12/1532 ( no grau 15:
25/02/1523)
Século
XVIII - 07/01/1762 – 30/11/1778 (
no grau 15: 14/01/1769)
Século
XXI - 26/01/2008 – 19/11/2024
(no grau 15: 01/03/2015) (definitivo: 27/11/2008)
Hipótese
de trabalho
Utilizando o Mapa Natal abordaremos alguns casos de
pessoas conhecidas que viveram o trânsito de Plutão pelo signo de Capricórnio
nos séculos XVI e XVIII.
Aplicaremos as idéias antes mencionadas, no sentido
de observar sua relevância.
Deste modo, poderemos antecipar as principais
características da atual passagem de Plutão por Capricórnio em nossos
próprios Mapas Natais, nos de nossos clientes e das pessoas que nos rodeiam.
Para isto, vamos analisar os casos, por ordem da
idade, em que estavam quando o trânsito começou
Por ordem de idade (em janeiro de 1516 e de 1762)
Wolfgang Amadeus Mozart (6 anos)
Johan Wolfgang Von Goethe (12 anos)
Benvenuto Cellini
(15 anos)
Enrique VIII
(24 anos)
Martín Lutero
(32 anos)
Rafael Sanzi (32
anos)
Immanuel Kant
(37 anos)
Michelangelo Buonarroti (40 anos)
Nicolás Copérnico
(42 anos)
Nicolás Maquiavelo
(46 anos)
Leonardo Da Vinci (63 anos)
W. A.
Mozart (27/1/1756 - 12/1/1791)
(27/01/1956 - 19:07:56 - 13º E 01' - 47º N 48')
Plutão natal em Sagitário
na IV conjunção a Lua, sextil Júpiter em Libra na II, quadratura Urano em
Peixes na VII. Regente da III (e VIII)
Capricórnio na V (e IV).
Saturno em Aquário na V conjunção ao Sol e Mercúrio (regente da I e X)
Plutão em trânsito:
Oposição
a Marte em Câncer na casa X, sextil Urano em Peixes na VII bem angular,
quadratura Júpiter em Libra na II.
O que ocorre?
Mozart tinha apenas 06 anos e já era uma criança
prodígio. 10 dias após o ingresso de Plutão em Capricórnio, ele iniciou sua
primeira grande viagem em família, que foi decidida pelo pai para tornar
internacionalmente conhecido seu talento precoce (oposição Marte em Câncer na
X). Foram ao Imperador José II de Habsburgo, em Munique e em seguida à Maria
Teresa de Viena. Depois Versalhes, Londres, Holanda, etc…
Aos quatorze anos (!!!) foi nomeado Maestro de
Concertos na corte de Salzburg, e ocorreu o famoso episodio do Miserere de Allegri como revelação ao Papa no
Vaticano (entrada de Plutão na casa V).
Em que pese tudo isto, os biógrafos designam estes
como “os anos de lutas”: dificuldades, limitações, mal pagamento (o cargo que
tinha era ad honorem), problemas com seu superior, o Cardeal de Salzburg, que, finalmente, a
pedido de Mozart, o demite de um golpe.
Nasce assim o primeiro músico independente do futuro
Romantismo, exatamente quando Plutão abandona Capricórnio e entra na conjunção
ao Saturno natal em Aquário.
Em resumo, Plutão arrasta
conteúdos muito pessoais, que promovem a liberdade interior e a mobilidade
(regente de Escorpião na casa III, conjunção Lua em Sagitário na IV, sextil
Júpiter em Libra e quadratura Urano na VII).
Capricórnio está particularmente determinado na casa
V (cúspide) e na IV, com Saturno na V, junto ao Sol e Mercúrio (regente do
Ascendente e do Meio do Céu) em Aquário: a auto-afirmação de um eu
criativo diferenciado.
O trânsito coincide com a primeira viagem “em
família” (Plutão conjunção Lua em Sagitário na IV, trânsito inicial oposição
Marte em Câncer na X), decidido por seu Pai, para revelar seu talento ao mundo.
Em seguida, a revelação maior e a nomeação coincidem
com a conjunção com a cúspide da V e o
trânsito de Saturno pela casa X.
Porém virão anos de dificuldades com a figura de
autoridade (o Cardeal de Salzburg), onde Mozart elaborará sua necessidade de
redefinir seu papel social e sua própria autoridade.
Com a saída de Plutão de Capricórnio (enquanto
Saturno estava em Escorpião) Mozart consegue ser demitido e começa assim sua
carreira “independente” (Aquário), inaugurando uma nova identidade que chegará
como característica aos músicos do futuro.
Johann W. Von Goethe (28/8/1749 - 22/3/1832)
(28/08/1749 - 11:25:26 - 008º E 41' - 50º N 07')
Plutão em Escorpião na I, grande trígono Júpiter em
Peixes na IV, Netuno em Câncer na IX, sextil Vênus em Virgem na X (pipa),
quadratura Mercúrio em Leão na IX (e, dissociada, com Sol Virgem na X). Regente
da I (e V)
Capricórnio na III (e II), com Marte e Nodo na II.
Saturno em Escorpião na XII conjunção Ascendente, quadratura Urano em Aquário
na III e trígono Lua em Peixes na IV.
Plutão
em trânsito:
Conjunção Marte Capricórnio II, trígono Sol Virgem
X, sextil Lua Peixes IV e Saturno Escorpião XII-I, conjunção Nodo Capricórnio
II, sextil Júpiter Peixes IV, oposição Netuno Câncer IX, trígono Vênus Virgem
X, sextil Plutão Escorpião I em 29º de Escorpião na I.
O que ocorreu?
Goethe tinha 13 anos
quando Plutão entrou
Imediatamente aceita o oferecimento que lhe fazem na
República de Weimar para ocupar um cargo público. Aceita para “fugir da
advocacia”.
Ali, a política administrativa assumida o obriga a abandonar
a literatura por dez anos (Plutão em sextil a si mesmo no grau 29º; em seguida,
trânsito por Aquário interceptado na casa III).
Como ocorreu com Mozart, o trânsito abrange tanto a
ascensão aos estudos em uma área que tinha a ver com a pressão paterna como a
revelação de Goethe como escritor emblemático do Romantismo alemão,
sintetizados na pipa que engloba o Grande Trígono de Plutão (vale lembrar a
onda de suicídios causada por Werther: Plutão regente do Ascendente em
29° Escorpião na I), Netuno em Câncer na IX e Júpiter em Peixes na IV, oposto a
Vênus em Virgem na X.
O mais significativo do período é o abandono da
primeira carreira assumida (trânsito de Plutão pela cúspide da casa III e
Saturno pela casa X).
Porém também o abandono transitório (autosequestro)
dessa identidade literária, revelada neste mesmo trânsito, ao mesmo tempo que
materializava o outro abandono, assumindo pesadas responsabilidades
administrativas na busca de si mesmo e de sua identidade criativa (Plutão na I
regente da I e da V; Saturno, regente da III, na XII conjunção Ascendente).
Benvenuto
Cellini (12/11/1500 - 15/2/1571)
(02/11/1500 - 20:07:56 - 11º E 16' - 43º N 46)
Plutão em Escorpião na V (também Vênus, Marte, Sol e
Mercúrio em Escorpião), conjunção Sol em Escorpião na V, trígono Júpiter em
Peixes na IX e sesquiquadratura com Lua em Áries na X. Regente da V (e X).
Capricórnio na VII-VI, com Netuno na VI.
Saturno em Gêmeos na XI sem aspectos maiores
(quincuncio Mercúrio e Vênus
Plutão
em trânsito:
Sextil Mercúrio, Vênus, Marte Escorpião IV,
quadratura Lua Áries X, conjunção Netuno Capricórnio VI, sextil Júpiter Peixes
IX, Sol e Plutão Escorpião V
O que ocorreu?
Cellini tinha 15 anos quando Plutão entrou em
Capricórnio, coincidindo exatamente com seu começo na ourivesaria (ativação do
quincuncio Mercúrio, Vênus e Marte a saturno em Gêmeos), porém teve que escapar
para Siena por suas eternas pendências. Tal como escreve, já muito mais velho,
em sua fantasiosa autobiografia, teve uma agitadíssima e intensa vida amorosa,
cheia de crimes passionais. Apesar disto, durante o período seu talento é
revelado. Em 1519 é discípulo de Michelangelo em Roma.
Ao final do mesmo, sob a proteção do Papa Clemente
VII, recebe em 1529 uma importante nomeação (trânsito de Plutão sextil ao
trígono de Júpiter em Peixes na IX com o Sol e Plutão em Escorpião na V).
Como também ocorreu com Mozart, o trânsito coincide
exatamente com a revelação de seu talento, neste caso como ourives, e dados os
seus bons aspectos e porque vários planetas pessoais estão à sua disposição, em
linhas gerais, êxito, reconhecimento e patrocínios profissionais (Plutão em
Escorpião conjunção Sol na V, rege V e X, enquanto Saturno em Gêmeos (mãos) na
XI tem à sua disposição Netuno na VI.
Porém, também foi marcado por exílios obrigatórios,
por suas pendências amorosas e crimes passionais (Plutão na V com Vênus, Marte
e Mercúrio em Escorpião, cúspide da VII em Capricórnio)
Henrique
VIII (7/7/1491 - 28/1/1547)
(28/06/1491-10:40 - 0º W 00' - 51º N29')
Plutão em 29º Libra na II, trígono Júpiter em
Gêmeos na IX-X e quadratura Urano em Capricórnio na IV; semi-sextil Nodo em
Escorpião oposição a Vênus em Gêmeos na IX (conjunção. Nodo Sul) e focal da
Quadrada T com Mercúrio em Leão na XI oposição Saturno em Aquário na V. Regente
da III (e VII-VIII)
Capricórnio interceptado na IV, com Urano dentro
oposição ao Sol
Plutão
em trânsito:
Quadratura Lua Áries VII, oposição Sol Câncer X,
conjunção Urano Capricórnio IV, quadratura Plutão Libra II.
O que ocorreu?
Henrique VIII tinha 24 anos quando Plutão entrou em
Capricórnio e seu trânsito coincidiu com o início do tema da sucessão e suas
conseqüências político-religiosas mundiais. Coroado em 1509, o início do
trânsito em 1516 acompanha o nascimento de sua filha Maria. Porém, como
necessitava um filho homem para uma sucessão que garantisse a pacificação
política a longo prazo, começou a cortejar sua cunhada Ana Bolena, porque
parecia que sua esposa não lhe daria o desejado sucessor.
Começaram assim os delicados e conflituados tratos
com o Vaticano para conseguir o divórcio. Ante a negativa da Igreja, decidiu
casar-se igualmente (Plutão em trânsito quadratura Lua em Áries VII, oposição
Sol
Em seguida à saída de Plutão de Capricórnio, foi
excomungado, em 23/1/1533, e casou-se
imediatamente com Ana, iniciando a primeira cisão européia com a Igreja Romana,
que debilitaria definitivamente o poderio desta instituição e fortaleceria
economicamente a Inglaterra, com sua nova Igreja Anglicana.
Assim, foram postos em relevo os conteúdos de pátria
e família, que se associam a Capricórnio interceptado na IV, incluindo uma
necessidade de independência a este respeito (Urano, oposto ao Sol em Câncer na
X também interceptado), rebelando-se conflitivamente contra o “Pai” (o Papa) e
tentando assumir sua própria paternidade, biológica e simbólica (Chefe da
Igreja).
Isto através de conteúdos complexos matrimoniais de
seu Plutão (em 29° Libra, regente de Áries na VII e VIII, quincúncio Vênus
conjunção ao Nodo sul em Gêmeos - a variedade, “as irmãs”), que tiveram como
cenário:
o conflito vinculado aos filhos próprios ou alheios
(“da esposa”) como materializadores da esperada sucessão (Saturno na V oposição
Mercúrio em Leão na XI, Urano em Capricórnio regente da V).
Martín
Lutero (19/11/1483 - 18/2/1546)
(10/11/1483 - 22:13:52 -11º E 32' - 51º N 32')
Plutão em Libra
Regente da IV (e IX).
Capricórnio na V-(VI), sem planetas
Saturno em Escorpião na III, conjunção Vênus e
quincúncio Lua em Áries na IX-VIII
Plutão
em trânsito:
Sextil Marte Escorpião III, quadratura Lua Áries IX-VIII,
sextil Saturno e Vênus Escorpião III, quadratura Plutão e Júpiter Libra III,
sextil Sol Escorpião IV.
O que ocorreu?
Lutero tinha 32 anos quando Plutão entrou em
Capricórnio, e seu trânsito coincidiu exatamente com o início e apogeu
da produção das idéias que geraram a grande reforma religiosa européia
protestante do século XVI.
Há pouco tempo nomeado Vigário de sua Ordem, o
início do trânsito em 1516 acompanha seus primeiros sermões públicos contra a
Igreja Católica Romana, a corrupção econômica de suas “indulgências”, seus
abusos políticos, a falácia do celibato eclesiástico, etc., que foram
rapidamente difundidos graças à imprensa (Plutão em trânsito sextil Marte em
Escorpião na III).
Em 1518 é declarado herege (Saturno em trânsito
conjunção Plutão em trânsito), e, em seguida, em 1521 é excomungado, enquanto
conclui a redação da primeira tradução do Novo Testamento para uma língua
diferente do Latim.
Em 1525 se casa e tem alguns filhos até pouco depois
da saída de Plutão de Capricórnio (em sua casa V).
Embora tenham ocorrido
exílios, também houve apoio político e pessoal de monarcas poderosos, como
Frederico III, na busca de afiançar o poder político nacional, contra o poder
hegemônico da Igreja Romana (oposição de Plutão natal à Lua em Áries na
IX-VIII, Sol em Escorpião na casa IV).
Como nos dois primeiros casos vistos anteriormente,
justo no início do trânsito se revela o que Lutero legará à humanidade.
O trânsito coincide, como
no caso de Henrique VIII, com sua rebelião contra a autoridade religiosa
“paterna” do Papa em defesa dos interesses nacionais regionais mediante
discursos e escritos (Plutão na III regente da IV e IX, oposição Lua na
IX-VIII; Saturno em Escorpião na III). É declarado herege quando Saturno e
Plutão em trânsito fazem conjunção entre si sobre sua Parte da Fortuna e
aspectando por sextil e quadratura a Saturno e Plutão natais).
Ao mesmo tempo, assumindo a responsabilidade de sua
própria paternidade biológica, tanto ao atacar o celibato como casando-se e
convertendo-se em padre (quase todo Capricórnio na casa V, Saturno natal
conjunção Vênus em Escorpião e quincuncio Lua, Plutão regente da IV oposição
Lua).
Rafael
Sanzio (5/4/1483 - 6/4/1520)
(27/03/1483 - 20:39:28 -
12º E 38 - 43º N 44)
Plutão em Libra na XI,
oposição Vênus e Sol em Áries na V, sextil Netuno em Sagitário na I, trígono.
Marte em Gêmeos na VII. Regente da I e
XII (e V).
Capricórnio na II-III, sem a presença de planetas
Saturno em Escorpião na XII, sem aspectos maiores,
quincuncio Marte em Gêmeos na VII.
Plutão
em trânsito:
Em vida: quadratura Júpiter Libra X, sextil Saturno
Escorpião XII, quadratura. Plutão Libra XI.

O que
ocorreu?
Rafael tinha 32 anos quando Plutão entrou em
Capricórnio, e seu trânsito coincidiu com seus últimos quatro anos de vida.
Tanto ele como seus conhecidos diziam que sua morte
foi devida a seus notórios e constantes
excessos sexuais.
Aqui o trânsito coincidiu com sua morte em idade
jovem, provocada, segundo seus conhecidos, por seus próprios atos (Plutão rege
I e XII, e Saturno está em Escorpião na XII), especificamente ligados a
excessos sexuais (Plutão, regente da I, XII e V em Libra oposição Vênus e Sol
em Áries na V, sextil Netuno em Sagitário na I e trígono a Marte em Gêmeos na
VII, Saturno em Escorpião na XII, quase todo Capricórnio na casa II – também o
corpo físico e sexualidade – sem aspectos maiores, porém também quincuncio a
Marte.
Neste caso sua revelação como artista já havia
ocorrido previamente. A ativação de
Plutão e Saturno natais, tão “sexuais” como negativos (casas e aspectos
maléficos) levou a que vivesse até às últimas conseqüências, de um modo auto-destrutivo, o simbolismo que ambos manifestam
Immanuel Kant (22/4/1724 - 12/2/1804 )
(22/04/1724 - 01:37:56 - 28º E 31'- 54º N 42')
Plutão em Virgem interceptado na VII, trígono Netuno
em Touro na III (regente de Peixes interceptado na I). Regente da IX-VIII (e
I-II).
Capricórnio na XI, com Saturno dentro.
Saturno em Capricórnio na XI, quadratura Lua em
Áries na I, sesqu:quadratura Netuno em Touro na III.
Plutão em trânsito:
Sextil Urano Escorpião VIII, trígono Sol Touro II,
quadratura Lua Áries I, conjunção Saturno Capricórnio XI, oposição Marte Câncer
V, quadratura Mercúrio Áries I, trígono Plutão Virgem VII e Netuno Touro III.
O que ocorreu?
Kant tinha 37 anos quando Plutão entrou em
Capricórnio, justo quando começou a publicar livros de Lógica e Filosofia.
Em 1770 começa como professor de Lógica e
Metafísica; é quando diz “despertar de seu sonho dogmático” graças a Hume
(justo em seguida a quadratura de Plutão em trânsito a Saturno e Lua).
Logo após tem início um silêncio de onze anos,
durante os quais produzirá a obra que sustentará sua fama póstuma: a Crítica
da Razão Pura (grande trígono de
Plutão em trânsito ao trígono
natal a Plutão em Virgem e (Netuno em Touro na III).
Michelangelo Buonarroti
(15/3/1475 - 18/2/1564)
(06/03/1475- 00:57:04 - 11º E 59 - 43° N 54')
Plutão em Virgem na IX, sextil Netuno em
Escorpião na XI, e Saturno interceptado em Câncer na VII, oposição Marte e Sol
em Peixes na III (pipa). Regente da XI (e IV).
Capricórnio interceptado na I, sem planetas.
Saturno em Câncer na VII, interceptado, trígono
Marte em Peixes na III e Netuno em Escorpião na XI, sextil Plutão em Virgem na
IX.
Plutão
em trânsito:
Sextil Lua Peixes II, oposição Saturno Câncer VII,
sextil Marte Peixes III, trígono Plutão Virgem IX, sextil Netuno Escorpião XI,
Sol Peixes III, quadratura Vênus Áries IV.
O que ocorreu?
Michelangelo tinha 40 anos quando Plutão entrou
O período está marcado por amores homossexuais
turbulentos: em 1522 Gerardo Perini o rouba, em 1532 Febbo di Poggio lhe pede
dinheiro como resposta a seus poemas de amor, e nesse mesmo ano, aos 57 aos,
conhece seu grande amor até à morte, Tommaso Dei Cavalieri, de 16 anos de
idade, a quem escreve sua primeira carta de amor em 1/1/1533 (onze dias depois
da saída definitiva de Plutão de Capricórnio).
O trânsito em um signo interceptado na I, põe a
descoberto o principal aspecto a seu dispositor, também interceptado: Saturno
em Câncer na VII, com todos os seus aspectos.
Com muita má sorte e obscuridade no campo
profissional, há grande produção literária (Marte e Sol na III, Plutão na IX,
Netuno em Escorpião regente da III) em decorrência de seus amores homossexuais,
que revelam à posteridade o seu verdadeiro “eu” (Capricórnio na I interceptado)
vinculado (Saturno interceptado na VII).
O último aspecto de Plutão em trânsito a Vênus
mostra a característica amorosa dessa conclusão.
Nicolás
Copérnico (28/2/1473 - 24/5/1543)
(19/02/1473 - 16:48 - 18º E 35' - 58º N 02')
Plutão em Virgem na I, sextil Netuno em Escorpião na
III, quadratura Saturno em Gêmeos na X, oposição.
Regente da IV (e IX), e de planetas na III.
Capricórnio na V, sem planetas. Saturno em Gêmeos na
X, quadratura Plutão em Virgem na I.
Plutão
em trânsito:
Sextil Sol Peixes VII, Urano Escorpião III,
quadratura Vênus Áries VIII, sextil Netuno Escorpião III, trígono Plutão Virgem
I, finalmente sextil Mercúrio em 26º Peixes VIII (dispositor de Saturno)
O que ocorreu?
Copérnico tinha 42 anos quando Plutão entrou
Uma vez reinstalado na Prússia, se dedicou à
administração da diocese de Warmia (Saturno em trânsito oposição Plutão),
exerceu a Medicina, ocupou outros cargos administrativos e levou a cabo seu
imenso e primordial trabalho em Astronomia.
Escreve a respeito em sua obra fundamental, De
Revolutionibus Orbium Coelestium de
Em que pese isto, manteve o trabalho escrito
“oculto”, quer dizer, autosequestrado, por prudência e dúvidas com
relação aos detalhes, até sua publicação póstuma em 1543.
Repetiu-se deste modo, como em outros casos antes
descritos, a seqüência de revelação, assumir responsabilidades, “gestação”
silenciosa e uma combinação de revelação e ocultação por suas próprias mãos de
seu legado para a posteridade.
Nicolás
Maquiavel (11/5/1469 - 21/6/1527)
(02/05/1469 - 10:22 - 11º E 15' - 43º N 47')
Plutão em Virgem na VIII, sextil Netuno em
Escorpião conjunção Meio do Céu, trígono Saturno em Touro na III, quadratura
Mercúrio em Gêmeos na V, oposição Marte em Peixes na II, quincuncio Nodo Norte
na I.
Regente da X (e III). Capricórnio (Ascendente) na I-XII, sem
planetas.
Saturno em Touro na III conjunção IV, oposição
Netuno em Escorpião na IX/X, trígono Plutão em Virgem na VIII, quadratura Lua e
Nodo na I.
Plutão
em trânsito:
Trígono Saturno Touro III, sextil Netuno Escorpião
IX-X, trígono Plutão Virgem VIII, conjunção Ascendente, sextil Marte Peixes II,
trígono Sol Touro IV e quadratura Vênus Áries III.
O que ocorreu?
Maquiavel tinha 46 anos quando Plutão entrou em Capricórnio
(Plutão VIII) e morreu em desgraça durante seu trânsito pelo signo (embora
tenha chegado a fazer todos os seus aspectos em vida).
Antes, enquanto transitava sua casa XII: havia
estado na prisão, torturado e exilado por causa das mesmas intrigas políticas
que descreve magistralmente em seu livro O Príncipe, escrito antes
(1513).
O período tem inicio com os escritos, na prisão, de
suas comédias mais famosas (incluída A Mandrágora). Recebeu anistia em
1521, quando Plutão estava em conjunção ao Ascendente.
Apesar disto, é novamente encarcerado, torturado e
exilado por difamações. Liberado, logo ganha na loteria.
Começa estudos de grego, traduz Polibio, e o Papa
encomenda a ele uma História de Florença, sua pátria, a cidade onde
morrerá.
Porém este texto lhe traz difamações, problemas, e
morre na desgraça e esquecimento.
Leonardo
Da Vinci (23/4/1452 - 2/5/1519)
(14/04/1452 - 20:56:16 - 10º E 56' - 43º N 45')
Plutão em Leão na VIII, quadratura. Sol em Touro na V,
trígono Mercúrio em Áries na IV, sextil Saturno em Libra na X, quincuncio Nodo
em Capricórnio na I. Regente da XII (e
V).
Capricórnio na II-I, contém o Nodo. Saturno em Libra
na X, trígono Marte em Aquário na II, oposição Mercúrio em Áries na IV. Plutão
em trânsito:
Em vida: sextil Júpiter e Lua Peixes III, trígono
Sol Touro V, conjunção Nodo Capricórnio I (quincuncio Plutão na VIII).
O que ocorreu?
Da Vinci tinha 63 anos quando Plutão entrou em
Capricórnio, e o trânsito durou os últimos três anos de sua vida (Plutão na
VIII).
Quando Plutão entra definitivamente no signo, em
1517, Da Vinci deve fugir da Itália por acusações de bruxaria. O rei da França,
Francisco I, o convida para sua corte e vive ali exilado e protegido.
Assim, através de um processo difícil (Plutão na
VIII regente da XII quadratura Sol, seu dispositor), afirma seu próprio valor e
autoridade, bem como a autoridade alheia.
Porém houve “autosequestro”, conflito, desqualificação de tudo
anteriormente feito e um novo começo. “Graças” ao sucedido, com relação ao
Louvre, houve melhores garantias de fama póstuma e de preservação de seu legado
para a Humanidade (Plutão em trânsito trígono Sol em Touro na V).
Na breve entrada e saída de Plutão de Capricórnio,
de 26 de janeiro a 14 de junho de 2008.
Com base no demonstrado nestes onze casos,
acreditamos que é possível e, por isto, recomendável nos aventurarmos nos
possíveis efeitos do atual trânsito de Plutão pelo signo de Capricórnio nos
Mapas Natais, de modo a podermos obter uma maior e melhor consciência possível
dos conteúdos, desafios, oportunidades e processos tão significativos a serem
vividos nesse período.
Talvez, na breve entrada e saída de Plutão de
Capricórnio, de 26 de janeiro a 14 de junho de 2008, cada um de nós já tenha
tido um prenúncio de parte daquilo que virá, de modo que já conta com alguns
dados de sua realidade concreta que, lidos em relação aos significadores do
Mapa Natal recomendados e com intuição, podem dar uma pista de quais os
conteúdos que devemos prestar atenção em nossas vidas, a partir da entrada
definitiva em 27 de novembro de 2008.
Rio
de Janeiro, 26 de Novembro 2008.
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