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Um Caminho para uma Astrologia Participativa

Celisa Beranger em 11 de julho de 2008

(palestra no I Circuito Nacional da CNA em 07/06/2008)

Uma das necessidades atuais é aprender a viver em tempos de grandes mudanças neste mundo cada vez mais globalizado e inseguro. Para nós brasileiros foi acrescida a ameaça com relação a ciclones e tremores de Terra, assim nos tornamos mais globalizados com relação aos problemas impostos pela  natureza.

Chegamos aos tempos difíceis que há quase 03 anos vínhamos apontando. Tempos de constatação dos limites dos recursos físicos da nossa Terra e da possibilidade de faltas, inclusive de comida. E ainda a ameaça de problemas econômicos mundiais com mudanças políticas e governamentais.

Sabemos que a Astrologia, além de nos ajudar no entendimento de nossa postura pessoal, possibilita nossa orientação durante a vida através da interpretação dos movimentos do céu, tanto os reais (trânsitos, revoluções e lunações) como os simbólicos (progressões e direções), uma vez que ambos desenvolvem as promessas do Mapa Natal.

Utilizando os caminhos apontados pelos astros podemos saber quais são, e em que condições se encontram, os temas que predominam em um dado tempo e, dentro dos limites do nosso livre arbítrio, qual é a melhor maneira para lidar com eles. Portanto, a Astrologia permite que utilizemos nosso livre arbítrio para fazermos escolhas mais conscientes.

Contudo, é preciso lembrar que a utilização do livre arbítrio implica em assumirmos responsabilidade pelas escolhas que fazemos, ou melhor, considerarmos as implicações que estas escolhas promovem.

Vamos apresentar a proposta do astrólogo americano Bruce Scofield para que possamos utilizar a Astrologia de um modo participativo com relação ao meio no qual vivemos.

Bruce denominou sua proposta como Substituição Simbólica – o caminho para uma Astrologia participativa.

Para entendermos melhor a proposta de Bruce é necessário citar, como ele o fez, o autor Eckhart Tolle. Este autor defende um conceito do “Agora” como um estudo mental entre o passado e o futuro. Estar neste “Agora” produz uma mudança de consciência que leva à liberação de padrões arraigados de reações emocionais.

Segundo Tolle este “Agora” é um conceito relativo, mas ele corresponde ao único momento no qual uma mudança criativa é possível. Contudo, Sofield nos lembra que só podemos mudar quando estivermos abertos à possibilidade de criar e assim participar do movimento do “Tempo que flui”.

De certa forma, este enfoque contraria a postura ocidental que é mais controladora que a postura oriental e procura impor a vontade pessoal sobre o “Tempo que flui”.

Em termos de tempo, o “Agora” mencionado por Tolle tanto pode corresponder a um segundo como a um ano. Mas o “Agora” é um tempo para criar e para funcionar da melhor maneira precisa ser utilizado com uma abertura total. Este momento, não deve ser negado ou forçado em função de nossas expectativas com relação a um determinando caminho que temos a pretensão de seguir.

Sabemos que a Astrologia permite o mapeamento de sistemas dinâmicos para a Terra e para os homens que nela habitam. Cada momento astrológico é composto por muitos ciclos que fazem o “Agora” único. Então Bruce nos lembra que um “Agora” pode ser codificado em diversas camadas de simbolismo astrológico e, desta forma, um dado tempo pode ser interpretado e fornecer diversas informações. Através destas informações é possível escolher a ação mais adequada ao “Tempo que flui”. Portanto a Astrologia pode ser utilizada como um mapa, para encontrar o melhor caminho a seguir. Contudo, para encontrar o melhor caminho podemos ter que  substituir conscientemente um  “Agora” por outro, como se houvesse uma espécie de leitor GPS astrológico, que interpreta o simbolismo e possibilita a improvisação de um script, que é escrito através de escolhas que consideram o contexto vigente com base nos movimentos do céu.

Vamos nos valer agora  de um autor que no ano passado publicou um livro espetacular a respeito da Astrologia e sua atuação. O autor é o americano Richard Tarnas e seu livro “Cosmos e Psique”, que este ano foi publicado também em espanhol. Tarnas afirma que a Astrologia postula um cosmos intrinsecamente impregnado de sentido que, de certo modo, tem como nexo desse sentido a Terra e  o ser humano individual.  Vejamos algumas afirmações de Tarnas que possuem relação com o tema que estamos abordando:

“Só quando me dei conta plenamente da natureza multidimensional e polivalente dos arquétipos comecei a distinguir a precisa natureza das correlações astrológicas”.

“Indivíduos com um mesmo alinhamento astrológico poderiam estar tanto no extremo ativo como no extremo receptivo de uma  mesma estrutura arquetípica, muito embora as conseqüências destas experiências fossem absolutamente distintas. Qual dentre as possibilidades polivalentes se realizaria parecia depender em grande parte das circunstâncias contingentes é da resposta individual, e não  do que podia ser observado no Mapa Natal e nos alinhamentos planetários”.

“Minha conclusão final foi que os princípios arquetípicos operativos nestas correlações eram poderosos, mas de natureza radicalmente participativa”.

Retornando à proposta de Scofield, o que ele denominou como Substituição Simbólica é na verdade um processo de escolha que utiliza o simbolismo astrológico e requer um entendimento profundo do processo interno pessoal. Esta é uma espécie de Astrologia Ecológica, que responde ao “Agora” ao invés de procurar controlá-lo. Este tipo de Astrologia não procura evitar um destino esperado, como fez o astrólogo italiano Valentino Nabolda do século XVI. Tendo concluído que astrologicamente passaria por um período muito difícil comprou uma razoável quantidade de comida, e tudo o mais que fosse necessário, trancou-se em casa fechando as grossas cortinas. Após algum tempo, ladrões que passavam sempre pelo local, resolveram invadir a casa supondo-a vazia por estar fechada há muito tempo. Ao encontrarem Nabolda o mataram.

Navegar no “Tempo que flui” é um caminho para um astrólogo corajoso, mas extremamente consciente, que não interfere no céu sobre sua cabeça, lê o  “Agora”   e submete-se habilidosamente aos seus ritmos para atender as necessidades do momento. Então, para praticar a Substituição Simbólica é preciso conhecer muito bem o simbolismo astrológico e voltar-se para o presente, com o objetivo de participar conscientemente da complexidade do universo vivo na criação constante do “Agora” no contexto do “Tempo que flui”.

Este é o caminho para encontrar a aptidão de criar.

Darwin via aptidão como a habilidade de um dado organismo para adaptar-se com sucesso às demandas do seu meio.

Sabemos que utilizando a criatividade pessoal é possível lidar, transformar e colocar-se no caminho da verdadeira liberdade.

A Astrologia é um meio para navegar no “Agora” e sua utilização adequada é o caminho para aumentar a consciência deste “Agora” e aprender a criar para navegar no ”Tempo que flui”.

Portanto a proposta da Astrologia Participativa é criar sobre as condições astrológicas do “Agora”, ao invés de procurar a melhor maneira para  lidar com elas.

Vejamos um pequeno exemplo:

Uma dada pessoa quer mudar de trabalho para ganhar mais, porém o tempo não está favorável. Saturno em trânsito está em quadratura ao Meio do Céu e em conjunção ao Mercúrio natal na casa 7, regente da casa 6. Também por trânsito Júpiter esta fazendo trígono ao Marte Natal de casa 6  a marte na 6.

Especialmente em função da quadratura Saturno, o “Agora” não está bom para um passo importante na carreira, mas é favorável à uma  organização  paciente para este passo. Entretanto, o trígono de Júpiter a Marte estimula a ação. Esta poderia ser  a busca de um trabalho temporário ou o inicio de uma atividade física.

Estudando o tempo mais à frente observamos que dentro de um mês e meio a Lua progredida secundária fará conjunção ao Meio do Céu e entrará no casa 10. Nesta ocasião, Saturno já terá deixado a conjunção a Mercúrio e a  quadratura ao Meio do Céu, portanto este    novo “Agora” estará favorável a um passo importante na carreira.  O tempo estará fluindo para isto.

Rio, 11 de Julho de 2008.

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