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Carta em Resposta à Matéria de Capa da Revista Veja

Celisa Beranger em 23 de janeiro de 2011

“GUERRA NAS ESTRELAS – Mais uma vez a astronomia demole as crenças astrológicas. Mas isso importa para quem se guia pelos astros?”

O artigo “TEM CONFUSÃO NO CÉU DA CIÊNCIA E NO DA CRENÇA” aborda a velha questão da movimentação das constelações (precessão dos equinócios) ter alterado os signos.

Acho que é preciso responder para corrigir o ataque indevido. Acabo de remeter a carta abaixo e sugiro àqueles que acharem conveniente que também escrevam suas cartas ao Diretor de Redação (veja@abril.com.br) ou escrevam em apoio à minha carta. Com isto espero que possamos conseguir alguma publicação no setor LEITOR de modo a esclarecer ao público leigo.

Ao Sr. Diretor de Redação da Revista VEJA

Na qualidade de astróloga atuante, ex-presidente e atual Conselheira do SINARJ – Sindicato dos astrólogos do Rio de Janeiro eu apresento meu protesto com relação à matéria de capa desta semana: “GUERRA NAS ESTRELAS – Mais uma vez a astronomia demole as crenças astrológicas. Mas isso importa para quem se guia pelos astros?”.

Para começar Astrologia não é uma crença, mas um saber de 4.000 anos cujo objeto de estudo é a correlação entre os movimentos celestes e terrestres.

Com relação ao Zodíaco, desde o século II d.C a Astrologia praticada no Ocidente, designada como Tropical, deixou de utilizar as constelações para localizar o movimento do Sol, Lua e planetas. O Zodíaco Tropical utiliza como parâmetro os pontos dos Equinócios e Solstícios. Os pontos dos Solstícios projetados na Terra deram origem aos Trópicos de Câncer e Capricórnio, daí a designação Astrologia Tropical.

Deste modo, para a Astrologia Tropical não importa a constelação na qual o Sol se encontra e nem o número de constelações que ele atravessa em seu trajeto na eclíptica, caminho aparente do Sol. Importa apenas qual dentre os doze segmentos iguais de 30º está sendo percorrido pelo Sol.
Esta divisão matemática ocorreu no século V a.C na Babilônia e deu origem aos signos. Embora os signos tenham adotado os nomes das constelações, que na ocasião estavam próximas aos segmentos, jamais os signos coincidiram com as constelações.

Então é fundamental distinguir signos de constelações. Constelações são conjuntos de estrelas, de tamanhos bastante variados, que se movimentam em função do movimento do eixo da Terra denominado precessão dos equinócios. Signos são doze, iguais e fixos. Não há possibilidade de ocorrer qualquer inclusão.

Portanto, o tempo não muda o Zodíaco Tropical porque a divisão matemática é baseada nos pontos dos Equinócios e Solstícios que são fixos.

Aliás, para que isto fosse respeitado o calendário foi corrigido no século XVI, quando passou de Juliano para Gregoriano.

Finalmente esclareço que Galileu e Kepler não apenas estudaram Astrologia, mas a exerceram profissionalmente. Isto pode ser comprovado em livros de astrônomos de renome tais como:

Kepler – Ronaldo Rogério Mourão – 2003 Odysseus Editora
Os Planetas – Dava Sobel – 2005 Companhia Das Letras

Atenciosamente,
Celisa Beranger