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O Mapa em Movimento – Projetando a Vida Através do Mapa Natal

Celisa Beranger em 10 de outubro de 2010

(Palestra no 12º Simpósio Nacional do Sinarj – 10/10/2010) 

Quando os antigos diziam que tudo o que estiver prometido para a vida está contido no mapa natal, eles não estavam se referindo apenas ao instantâneo do momento do nascimento, mas também ao desenvolvimento do mapa através da vida. Originalmente, este desenvolvimento era feito através das progressões do Ascendente e das direções que este ponto formava com os luminares e planetas natais.

No final da década de 90 do século passado, quando tivemos acesso aos fragmentos do Pentateuco de Dorotheus de Sidon, do século I, constatamos que o Ascendente era progredido em função da ascensão dos signos. Seu movimento era utilizado tanto para projetar a vida como para calcular as possibilidades de sua extensão. Esta movimentação do Ascendente nada mais é que o movimento da Progressão Secundária, que até então supúnhamos ter surgido apenas no século XVIII.

Pessoalmente, tive a oportunidade de atender duas pessoas que trouxeram para a consulta os mapas feitos pela astróloga Emma de Mascheville e constatei que no verso destes mapas estavam relacionadas as direções mais importantes para a vida e as idades a elas correspondentes.

Também tive acesso a alguns mapas natais interpretados pelo grupo do Brasil Astrológico de São Paulo, no começo do século passado, que incluíam as épocas importantes da vida.

Mexendo em alguns papéis, encontrei um testo da argentina Rubi Léza, que aborda o desenvolvimento do mapa natal, embora sem a preocupação com idades e datas, que me inspirou na escolha deste tema.

O tema proposto é um método que utilizo há mais de 15 anos em meus atendimentos para ampliar a visão do mapa natal considerando sua movimentação através da vida, de modo relativamente simples.

Este método permite a localização das principais etapas da evolução pessoal e de acontecimentos que marcam a vida e, com eles também é possível verificar a hora do nascimento.

É preciso ressalvar que verificar é diferente de retificar. A retificação é um trabalho minucioso e demorado que não pode ser feito na hora do atendimento. Para retificar é preciso dispor de 06 a 10 datas de acontecimentos marcantes da vida e a proposta aqui é exatamente o contrário, pois são fornecidos anos para comprovar os acontecimentos já ocorridos.

O mapa é movimentado através das progressões, direções e trânsitos. Para algumas condições é suficiente aprender a olhar o mapa em movimento e para outras é necessário utilizar as efemérides ou um programa de computador como o Solar Fire.

O movimento é observado para localizar condições e acontecimentos que marcaram a vida no passado e deverão marcar no futuro. Muitas vezes as respostas às perguntas feitas com relação aos acontecimentos passados são surpreendentes, mas de qualquer forma elas demonstram a maneira como as tendências natais se desenvolveram até o momento  e também a maneira como a pessoa lida com suas próprias potencialidades.

PROGRESSÕES E DIREÇÕES SECUNDÁRIAS

Vamos observar o movimento do Sol, da Lua, Luas Novas Progredidas. Movimento do Ascendente e do Meio do Céu e as Mudanças de direção dos planetas.

Sol Progredido Secundário

Considerando que na Progressão Secundária um dia corresponde a um ano e o movimento diário do Sol é de aproximadamente um grau, a cada ano a partir do nascimento o Sol avança cerca de um grau. Tomando uma vida de 80 anos, um pouco acima da média, podemos observar o trecho de 80º do mapa natal que será percorrido e iluminado pelo Sol ao longo da vida.

A partir do nascimento o Sol começa a progredir e em algum momento muda de signo, assim permanece durante 30 anos até que muda novamente, e daí a mais 30 muda outra vez. Portanto, normalmente ocorrem duas ou três mudanças, dependendo do grau do Sol.

As mudanças de signo do Sol não significam que a pessoa deixa de ser o signo de nascimento, mas sim que serão absorvidas e agregadas às qualidades natais aquelas do novo signo no qual o Sol ingressa. Estas novas qualidades poderão complementar ou moderar as qualidades do nascimento. Portanto, as características da personalidade continuam a ser essencialmente aquelas do signo natal, mas a mudança de signo altera a maneira da pessoa conduzir-se na vida.

Por exemplo, para um Sol natal em Áries a mudança para Touro trará a perspectiva de que convém avaliar melhor os resultados antes de promover um novo empreendimento.

De modo geral, a mudança é percebida na ocasião da entrada no novo signo e nos primeiros graus, mas ela irá se intensificando à medida que o signo é percorrido.

Quando no mapa natal o Sol está nos primeiros graus do signo, a primeira mudança só ocorrerá após muitos anos e, sendo assim o signo solar atuará de modo mais puro. Quando ocorrer a mudança, ela terá um grande impacto sobre a pessoa porque sabemos que dois signos sucessivos possuem qualidades muito diferentes.

Quando o Sol natal está nos últimos graus do signo, a primeira mudança ocorre nos primeiros meses ou anos de vida. As novas qualidades são incorporadas de modo mais natural e sem causar grande impacto. Neste caso, a segunda mudança é a que terá impacto.

O movimento do Sol também o leva a novas casas. As mudanças devem ser observadas porque promovem a abertura para novos assuntos.

Por exemplo, uma senhora de 44 anos com o Sol natal na casa 1 que durante o percurso pela casa 2  vivenciou muitas questões econômicas, na mudança para a casa 3, após muitos anos, decidiu voltar a estudar.

De qualquer forma, é interessante considerar se o movimento do Sol a partir do nascimento ocorre no sentido Ascendente ou Descendente.

No modo Ascendente a essência solar tende a ser descoberta através de uma manifestação cada vez maior no mundo exterior, enquanto no modo Descendente o caminho é de fora para dentro, pois cada vez mais a pessoa terá que recorrer aos próprios recursos

No modo Descendente é preciso ressaltar o que ocorre com o Sol natal nas casas 10 e 11. A partir da entrada na casa 12 a pessoa experimentará algum tipo de retiro ou desprendimento. Dependendo da casa 12 natal e das direções que o Sol formar durante os anos em que percorrer esta casa, poderá ser necessário utilizar os recursos internos para lidar com algumas dificuldades. Elas serão em termos da posição social ou profissional ou ainda de doença da própria pessoa ou de próximos.

Vejamos agora as direções do Sol que iluminam e focalizam o ponto ou planeta tocados e promovem acontecimentos que marcam a vida.

Sabemos que as conjunções são os aspectos astrológicos mais relevantes e quando ocorrem por direção indicam a vivência de experiências de profunda aprendizagem, que contribuem muito para a evolução pessoal. Portanto, quanto mais conjunções o Sol fizer e quanto mais cedo isto ocorrer maior será a aprendizagem.

De qualquer forma os demais aspectos – oposições, quadraturas, trígonos e até sextís – também são importantes. As conjunções e oposições são muito fáceis de serem observadas, uma vez que basta considerar a distância em graus entre o Sol e o planeta ou ponto para definir as idades em que as direções irão ocorrer. Contudo, não é difícil localizar os demais aspectos.

As direções atuam com orbe de um grau, aproximativo e separativo, portanto, cada uma das idades encontradas em função da distância entre o Sol e o planeta possui uma variação de um ano para menos e para mais no que se refere à ocorrência de prováveis acontecimentos.

Durante os dois anos de duração da direção, a pessoa se dará conta de alguma faceta relacionada com o significado do astro ou ponto iluminado pelo Sol. Nas direções harmônicas, com motivação pessoal e nas desarmônicas com tensão.

Uma observação importante com relação às direções, do Sol ou outras, é que elas são diretas e conversas. Portanto, o movimento deve ser observado em dois sentidos: direto quando o Sol se move para frente, no sentido do zodíaco,  e converso quando o movimento ocorre  para trás, no sentido contrário àquele do zodíaco.

Não é difícil aceitar a simetria com relação ao nascimento, pois o Universo é harmônico e a partir deste instante o tempo transcorre nas duas direções, para frente e para trás. Portanto, astrologicamente cada situação da vida pode ser observada no momento em que ocorre e no seu simétrico.

A origem do movimento converso vem das direções primárias que utilizam os dois semi-arcos, diurno e noturno, mas de qualquer forma desde os anos 90 do século passado, além das direções, o movimento converso também é utilizado para as Revoluções Solares e os Trânsitos.

Vejamos em um exemplo como funciona a movimentação do Sol.

Mulher – 22/07/1975 – 17 horas – Rio de Janeiro

O Sol está em 29º23’ de Câncer, portanto mudou para Leão  meses após o nascimento e a manifestação de Leão começou a ser incorporada muito cedo. Durante cerca de 30 anos o Sol percorreu o signo de Leão e então mudou para Virgem, acrescentando praticidade e auto- aperfeiçoamento às qualidades cancerianas. Podemos prever que aos 60 anos o Sol entrará em Libra e então serão mobilizadas as qualidades de cooperação e justiça.

Com relação às casas, o Sol está na casa 7 e  a cúspide da casa 8 encontra-se em 18º41’ de Leão, portanto distante cerca de 19º do Sol em 29º23’de Câncer. Sendo assim, a primeira mudança de casa ocorreu aos 19 anos. Uma nova mudança ocorrerá na entrada na casa 9, cuja cúspide em 16º23’ de Virgem está distante cerca de 47º do Sol natal. Portanto, a partir dos 47 anos ocorrerá uma busca pela abertura de horizontes.

Com facilidade podemos observar as conjunções e oposições do Sol. Considerando o movimento direto, a distância entre Sol e Vênus, em 8º de Virgem, é de aproximadamente 39º, portanto utilizando um grau antes e outro depois, aproximativo e separativo da conjunção exata, entre 38 e 40 anos esta moça, agora com 35 anos e ainda solteira, deverá viver uma experiência afetiva marcante. Contudo, como Vênus faz uma quadratura muito próxima com Netuno em 9º de Sagitário, o Sol focalizará a quadratura e a experiência poderá ser de ilusão e desilusão.

Em sua caminhada o Sol também deverá fazer conjunção ao Plutão de casa 9, em 6º49’ de Libra. Sendo assim, a distância entre Sol e Plutão é da ordem de 67º, portanto entre 66 e 68 anos deverá ocorrer uma grande mudança em termos de conceitos e também de relacionamentos, uma vez que o Sol sempre carrega com ele os assuntos da casa natal de onde partiu.

O movimento direto não deve alcançar a oposição a Júpiter, porém para trás, no converso, uma oposição ocorre antes de qualquer conjunção.

A diferença entre a posição do Sol, 29º23’ de Câncer, e a da Lua, 24º51’ de Capricórnio, é cerca de 4º. Portanto entre 3 e 5 anos pode ter ocorrido uma tensão ou separação familiar. Depois então virão as seguintes conjunções:

Saturno, em 23º26’ de Câncer, a diferença é de cerca de  6º, portanto entre 5 e 7 anos a menina deve ter vivenciado uma experiência importante para seu aprendizado e estruturação pessoal, mas que pode ter ocorrido através de responsabilidades, limitações e cobranças muito cedo, fazendo-a sentir-se inadequada e  isolada.

Continuando o movimento converso, a diferença entre o Sol e Mercúrio, em 18º 34’ de Câncer, é de 11º, portanto entre 10 e 12 anos deve ter ocorrido ênfase na comunicação, questionamentos e até mudanças escolares.

A direção seguinte é uma nova oposição, desta vez a Netuno, em 09º15’ de Sagitário. O Sol precisará percorrer os 29º de Câncer e mais 21º de Gêmeos, portanto 50º. Sendo assim entre 49 e 51 anos ela viverá a vulnerabilidade da oposição a Netuno, e simultaneamente, as ilusões e desilusões da quadratura a Vênus.

Sem dúvida, localizar conjunções e oposições é muito mais simples que localizar os demais aspectos, mas  em um rápido exemplo veremos como é possível encontrá-los.

Vamos localizar a quadratura do Sol a Plutão em 6º49’ de Libra. A exatidão ocorre em 6º49’ de Câncer, portanto o Sol terá que se mover aproximadamente 23º para trás. Então entre 22 e 24 anos ela poderá ter vivido uma mudança marcante e talvez uma separação.

Para aqueles que preferirem utilizar as efemérides para localizar as idades é muito simples, basta lembrar que cada dia, para frente ou para trás, em relação ao nascimento corresponde a um ano.

Mais simples ainda é localizar estes dados através de um programa de computador. O Dynamic do Solar Firepermite que sejam criadas telas específicas para encontrar o que for desejado durante muitos anos.

Movimento do Sol: Resumo 

3 a 5 anos – Sol converso em  oposição a Lua
5 a 7 anos – Sol converso em conjunção a Saturno
10 a 12 anos – Sol converso em conjunção a Mercúrio
19 anos – Sol na casa 8
22 a 24 anos – Sol converso em quadratura a Plutão
30 anos – Sol em Virgem
38 a 40 anos – Sol direto em conjunção a Vênus
47 anos – Sol na casa  9
49 a 51 anos – Sol converso em oposição a Netuno.
66 a 68 anos – Sol direto em conjunção a Plutão.

Lua Progredida Secundária

Consideramos duas condições da Lua secundária como as mais importantes para este método. Seu primeiro retorno à posição natal, entre 26 e 28 anos dependendo da velocidade da Lua no nascimento, porque indica um forte contato com as condições natais da Lua e também aponta para uma readaptação na vida. A segunda condição é a entrada e passagem da Lua pela casa 1, que corresponde a um novo começo. A grande atenção ao atendimento das próprias necessidades leva a novas atitudes, alteração das condições existentes e empreendimento de coisas novas.

Para localizar estas condições é necessário utilizar as efemérides ou um programa de computador. No exemplo que estamos considerando as duas condições ocorreram simultaneamente porque a Lua está no Ascendente. O retorno aconteceu no começo de 2002 e a passagem pela casa 1 desenvolveu-se até o final de  2004. O próximo retorno será em 2029.

Lunação Progredida Secundária

A conjunção dos dois luminares progredidos é extremamente relevante porque quando ocorre fecha um ciclo de 29 anos para abrir outro. Normalmente são vividos três ciclos, mas um deles não é completo.

As idades do começo dos novos ciclos dependem da distância entre os luminares no mapa natal, portanto elas são individuais. Considerando o arco da  Lua em relação ao Sol, no sentido do zodíaco, quanto menor o arco mais tarde o segundo ciclo terá início, e quanto maior mais cedo ele acontecerá.

A partir de cada Lua Nova a vida começa a mudar progressivamente dando início a um novo desenvolvimento pessoal.

No nosso exemplo a moça nasceu em uma Lua quase cheia, a Lua está distante 175º do Sol, portanto o ciclo estava quase na metade. Com este dado já podemos supor que entre 14 e 15 anos ela começou um novo ciclo. Mas observando nas efemérides podemos localizar a idade precisa. Uma Lua Nova ocorreu em 07 de agosto de 1975. Ela nasceu em 22 de julho, a diferença é de 16 dias (9 dias de julho e mais 7 de agosto), que equivalem a 16 anos. Na verdade o ciclo começou aos 15 anos porque a hora da Lua Nova (11:58 GMT) é anterior à hora de nascimento (17+3= 20 GMT).

Com este dado já podemos considerar que 29 anos depois, aos 44 ou 45 anos, este ciclo terminará e um novo terá início. Nas efemérides confirmamos que o terceiro ciclo terá início aos 45 anos.

Também é possível obter estes dados através do computador.

Ascendente Progredido Secundário

O signo no qual o Ascendente se encontra, entre outras coisas, indica a maneira como a pessoa vê o mundo, mas as mudanças de signo do Ascendente promovem algumas alterações na visão pessoal.

Uma pessoa com o Ascendente nos últimos graus do signo terá a primeira mudança na infância e, como no caso do Sol, a assimilação do novo signo é mais completa. Mas, de qualquer forma, haverá uma segunda e até uma terceira mudança e estas serão facilmente notadas pela pessoa.

Outra questão relevante na mudança de signo do Ascendente é a ativação dos  assuntos da casa natal em que o regente do novo signo se encontra.

Por exemplo, a mudança de um Ascendente Peixes para Áries, por si só já é extremamente relevante em termos de ativação pessoal, mas os assuntos da casa em que Marte se encontrar constituirão  o principal foco de ativação e atuação.

A localização das mudanças de signo do Ascendente não é simples porque não é possível considerar um grau por ano, uma vez que os signos ascendem em tempos diferentes  em cada lugar. Sem dúvida, podemos fazer uso das  tábuas de casas, mas atualmente elas são pouco utilizadas e  um  programa de computador é a melhor solução.

No caso do exemplo que estamos utilizando, muito cedo, no começo de 1982, o Ascendente mudou para Aquário. Mas a mudança mais importante, para Peixes, ocorrerá em 2016. Além de aumentar sua sensibilidade, a mudança ativará questões familiares e de moradia, porque Júpiter natal está na casa 4, e também suas esperanças e planos, porque  Netuno está na casa 11.

Já citamos que as direções do Ascendente são extremamente relevantes com relação aos acontecimentos da vida. Para localizá-las também é necessário utilizar um programa de computador.

Como ocorreu com o Sol, o movimento deve ser considerado nos dois sentidos, para frente e para trás, em função das direções serem diretas e conversas.

Direções do Ascendente: Resumo

4 a 6 anos – Ascendente direto quadratura a Urano
5 a 7 anos – Ascendente direto oposição ao Sol
17 a 19 anos – Ascendente converso trígono a Vênus
19 a 21 anos – Ascendente converso quadratura a  Plutão
23 a  25 anos – Ascendente direto quadratura a Marte
33 a 35 anos – Ascendente converso trígono Júpiter
38 a 40 anos  – Ascendente direto trígono a Urano
49 a 51 anos – Ascendente direto oposição a Vênus e quadratura a Netuno

Meio do Céu Progredido Secundário

As mudanças de signo também são importantes e mobilizam a casa natal do novo regente, mas são menos percebidas pessoalmente que as do Ascendente.

Quanto às direções, extremamente relevantes com relação aos acontecimentos que marcam a vida, são fáceis de localizar porque o Meio do Céu possui um movimento bem mais regular que o do Ascendente e avança cerca de 1 grau por ano.

Sendo assim, também aqui a distância entre o Meio do Céu ou Fundo do Céu e os astros corresponde às idades de prováveis acontecimentos que marcam a vida. Os acontecimentos  estão relacionados com os significados do astro tocado no contexto dos assuntos da casa em que ele se localiza.

Como no caso do Sol e do Ascendente, o movimento deve ser considerado nos dois sentidos, para frente e para trás e com orbe de 1º aproximativo e 1º separativo.

As direções formadas pelo eixo Meio do Céu – Fundo do Céu possibilitam a verificação da hora do nascimento.

Vejamos no exemplo que estamos utilizando.

A distância do  Meio do Céu em 18º07’ para Urano em 28º27’ é de  10º27’, ou aproximadamente 10º, portanto entre 9 e 11 anos o rumo da vida deve ter passado por uma mudança radical.

A distância entre o Meio do Céu e Netuno, em 09º15’ de Sagitário, é de 51º. Portanto entre 50 e 52 anos o Meio do Céu fará conjunção a Netuno e quadratura a Vênus. Deverá ser um tempo de vulnerabilidade e confusões com relação à posição no mundo e, com a Vênus na casa 8, em termos de partilha afetiva e de dinheiro.

O Fundo do Céu também deve ser observado e podemos constatar que Júpiter está em 23º50’, portanto sua distância em graus com relação ao Fundo do Céu em 18º07’é de 5º43’, ou aproximadamente 6º, portanto entre 5 e 7 anos a família pode ter aumentado.

Também podemos observar que Marte está em 15º03’ de Touro, distante 26º56’ ou aproximadamente 27º do Fundo do Céu e, sendo assim, entre 26 e 28 anos deve ter ocorrido ativação em questões familiares ou de moradia.

No sentido converso, a distância entre o Meio do Céu e Plutão em 6º49’ é de 11º18’, ou aproximadamente 11º, portanto entre 10 e 12 anos temos indicação de uma grande mudança.

Podemos observar que estas idades se sobrepõem às da direção direta Meio do Céu/ Urano e, sendo assim a indicação de uma mudança radical está reforçada.

A distância entre o Meio do Céu e Vênus é de 40º, portanto entre 39 e 41 anos temos a indicação de questões afetivas ou relacionadas com partilha de dinheiro, mas devido à simultânea quadratura com Netuno, confusas e decepcionantes.

Direções do Meio do Céu: Resumo

5 a 7 anos – Fundo do Céu direto em conjunção a Júpiter.
9 a 11 anos – Meio do Céu  direto em conjunção a Urano.
10 a 12 anos – Meio do Céu converso em conjunção a Plutão.
26 a 28 anos – Fundo do Céu direto em conjunção a Marte.
39 a 41 anos – Meio do Céu converso em conjunção a Vênus (e quadratura a Netuno)
50 a 52 anos – Meio do Céu direto em conjunção a Netuno.

Sem dúvida, as conjunções e oposições são as direções mais fáceis de serem localizadas, mas como vimos no caso do Sol, quadraturas e trígonos também podem ser consideradas. Elas serão as opções para mapas que não apresentarem planetas próximos aos eixos, especialmente no caso de pessoas jovens.

Mudança de movimento dos planetas

Esta mudança é importante porque promove alterações relevantes na expressão dos planetas. A mudança para o movimento retrógrado promove a retração da expressão dos significados do planeta enquanto a mudança para o movimento  direto possibilita  extroversão dos significados.

As mudanças dos pessoais, Mercúrio, Venus e Marte, são as mais importantes, mas também devem ser observadas mudanças dos sociais e geracionais quando ligados a planetas pessoais.

A alteração é percebida com mais intensidade nos dois ou três primeiros anos, porque depois é como se a pessoa se adaptasse às novas condições.

As mudanças de movimento também são facilmente localizadas nas efemérides, considerando a diferença entre o dia da mudança e aquele do nascimento.

No caso do exemplo que estamos utilizando, aos 14 anos Vênus mudou para o movimento retrógrado, retraindo-se e dificultando o discernimento em suas escolhas, especialmente no plano afetivo. Aos 57 Vênus retornará ao movimento direto.

Aos 23 anos Júpiter também retrogradou reduzindo o otimismo e talvez o interesse na expansão pessoal. Mas aos 29 anos Netuno passou ao movimento direto e melhorou sua vulnerabilidade, especialmente em termos de relacionamentos afetivos e amizades.

TRÂNSITOS

Saturno

Primeiro retorno – extremamente relevante porque marca a conclusão da estruturação pessoal e corresponde a um tempo de escolhas e definições importantes para o desenvolvimento da vida.
Conjunção ao Ascendente e a passagem pela casa 1- quando surge uma pessoa mais estruturada e capaz de administrar a própria vida.
Conjunção ao Sol – início do ciclo de estruturação pessoal.
Conjunção ao Meio do Céu – muito importante em termos profissionais.
No exemplo que estamos adotando Saturno está em conjunção ao Descendente e já podemos saber que a primeira passagem ocorreu entre 14 e 15 anos, portanto muito cedo para o que é esperado. Sendo assim, a segunda passagem, que ocorrerá entre 2020 e 2022, será a mais relevante.

Urano, Netuno e Plutão

A observação do mapa natal permite localizar as áreas que serão percorridas ao longo da vida e também os planetas pessoais que serão tocados por conjunção.

Urano é o único a completar seu ciclo de 84 anos. Netuno faz oposição à sua posição natal aos 82 anos e nos tempos atuais, Plutão, apesar dos 248 anos de seu ciclo, aos 90 ou 91 anos, também está fazendo oposição à sua posição natal. Portanto os dois percorrerão no máximo a metade do mapa natal.

Sabemos que Urano percorre 30º em 07 anos, Netuno em 14 e Plutão entre 11 e 16 anos, portanto em média atualmente está similar a Netuno.

Neste percurso é importante diferenciar as etapas percorridas nos distintos hemisférios: no superior, os temas são públicos, e no Hemisfério inferior são pessoais.

Devemos observar também a passagem destes planetas pelos quatro pontos principais, Ascendente-Descendente, Meio do Céu-Fundo do Céu, privilegiando aqui Urano e Plutão cujas mudanças são mais explícitas e até possibilitam a verificação da hora do nascimento.

A observação do mapa que estamos utilizando  nos permite dizer  que na infância Plutão alcança o Meio do Céu, faz quadratura a Mercúrio e depois  quadratura à Lua e ao Sol. Na adolescência fará oposição a Marte e na juventude quadratura com Vênus. Na maturidade fará oposição a Mercúrio, chegará ao Ascendente e fará conjunção à Lua e oposição ao Sol.

Também sabemos que na infância Urano fez oposição a Marte e quadratura a Vênus, na juventude fez oposição a Mercúrio. Chegou ao Ascendente, fez conjunção com a Lua e oposição ao Sol. Em poucos anos Urano chegará ao Fundo do Céu, e logo depois fará quadratura aos luminares.

Pouco depois de Urano, Netuno chegou ao Ascendente, fez conjunção com a Lua e oposição ao Sol.

É preciso considerar que, no caso do exemplo que estamos utilizando, pelo fato do Sol e Lua estarem envolvidos em um grande quadrado, os aspectos aos dois carregam os planetas que  participam do grande quadrado: Júpiter, Saturno e Urano.

Sabemos como é fácil localizar os trânsitos através das efemérides ou de um programa de computador, mas o que estamos propondo é observar muitos anos ao mesmo tempo.

Para a localização de datas importantes vamos privilegiar os aspectos dos geracionais aos luminares. Lamentavelmente, temos que considerar que os trânsitos tensos marcam mais que os harmônicos e por este motivo privilegiamos as conjunções, quadraturas e oposições. Além delas também devemos observar as passagens pelos 4 pontos dos dois eixos principais:  Ascendente – Descendente,  Meio do Céu ou Fundo do Céu.

É importante ressaltar também que, no caso de mapas com um planeta muito enfatizado, como um focal de quadratura T, muito aspectado, isolado ou alça do padrão planetário Balde, é preciso observar os trânsitos dos geracionais em relação ao planeta.

Trânsitos: Resumo

Plutão –    1978-1979 conjunção ao Meio do Céu.
                    1981 a 1984 quadratura ao Ascendente, Lua e Sol.
Netuno – 1995-1998 conjunção ao Ascendente e à Lua  e oposição ao Sol.
Urano – 1994-1995 conjunção ao Ascendente e à Lua e oposição ao Sol.
Saturno – chegará ao Meio do Céu em 2011.
Urano –  alcançará o Fundo Céu em 2016 e em 2017 fará quadratura à Lua e em 2018 ao Sol.
Neste mesmo período Plutão fará quadratura ao Meio do Céu.
Plutão fará conjunção ao Ascendente e à Lua entre 2020 e 2021 e entre 2022 e 2023 estará em oposição ao Sol.
Saturno alcançará o Ascendente em 2020 e até 2022 permanecerá na casa 1.

RESUMO:

Tendo levantado os dados referentes a todos os itens, podemos colocá-los em ordem cronológica para selecionar as idades mais importantes e que serão  apresentadas à pessoa. Nas idades passadas podemos perguntar a respeito dos acontecimentos considerando os significados dos planetas e os assuntos das casas envolvidas.  Nas idades futuras podemos pontuar a respeito das condições que deverão apresentar-se.

As idades mais relevantes estão grifadas.
3 a 5 anos – Sol converso em oposição à Lua.
4-5 anos – Plutão em trânsito em conjunção ao Meio do Céu. Ascendente direto em quadratura a Urano
Neste período houve uma concentração de tensões e foi um dos períodos escolhidos para pergunta.
Esta ocorrência na infância refere-se sem dúvida a mudanças familiares.
A moça respondeu que aos 3 anos ocorreu a separação dos pais e logo depois a mãe casou novamente.
5-6 anos – Fundo do Céu conjunção a Júpiter, Sol  conjunção a Saturno. Plutão em trânsito em quadratura com a Lua e o Ascendente. Ascendente direto em oposição ao Sol.
Perguntada a respeito de uma expansão na família a moça respondeu que aos 7 anos nasceu seu único irmão e a família mudou de casa.
10 a 12 anos – Meio do Céu direto em conjunção a Urano e o converso em conjunção a Plutão. Sol converso em conjunção a Mercúrio.
A pergunta foi a respeito de mudanças radicais no rumo da vida. Aos 10 anos e meio a moça se mudou para a Europa, mas a mudança não deu certo e seis meses após, aos 11 anos, ela voltou para o Brasil.
Envolvendo os eixos, as três perguntas anteriores permitem a verificação da hora do nascimento.
13 a 15 anos – Ascendente em quadratura com Marte.
15 anos – começou um novo ciclo de 29 anos e Vênus retrogradou.
17 a 19 anos  Ascendente converso trígono a Vênus. Primeiro namorado.
18 a 20 anos – Urano em trânsito em conjunção ao Ascendente e à Lua e depois oposição ao Sol.
19 anos – o Sol entrou na casa 8.
Entre 18 e 20 anos era um tempo de mudanças pessoais. A moça começou a trabalhar, fez uma cirurgia estética corretiva, mudou para São Paulo  para morar com o pai, mas outra vez a mudança não deu certo e ela voltou a morar com a mãe no Rio.
Dado o envolvimento da Lua, o período não pode ser utilizado para verificar a hora do nascimento.
22 a 24 anos – o Sol converso na casa 6 fez quadratura a Plutão.  Plutão em trânsito fez quadratura com Vênus na casa 8, Netuno fez oposição ao Sol  e Júpiter retrogradou.
Uma separação? Aos 22 anos o pai ficou doente e faleceu um ano depois.
26 e 28 anos – a Lua retornou e percorreu a casa 1. O Sol direto fez trígono a Júpiter. O Fundo do Céu fez conjunção a Marte.
A moça deixou o emprego de alguns anos para procurar uma condição melhor e tentar uma faculdade.
29 anos – Saturno retornou e Netuno ficou direto.
30 anos – o Sol entrou em Virgem.
A moça decidiu deixar os estudos para melhorar o desempenho no trabalho.
33 a 35 anos  Ascendente converso trígono a Júpiter.
E agora vejamos o que temos a frente:
36 anos  Saturno em conjunção ao Meio do Céu. Resultado dos esforços na relação com o mundo.
38 a 40 anos  – Meio do Céu converso conjunção a Vênus e quadratura a Netuno. Questões afetivas, mas que podem ser decepcionantes
40 anos – Urano em trânsito chegará ao Fundo Céu. Mudanças domésticas ou familiares.
41 e 42 anos – o Ascendente mudará para Peixes. Urano em trânsito fará quadratura com a Lua. Plutão em trânsito fará quadratura ao Meio do Céu.
Serão tempos de transtornos, mudanças e crises. Em função da Lua questões físicas também podem surgir.
43 anos – Urano em trânsito fará quadratura ao Sol.
44 e 45 anos – Plutão em trânsito chegará ao Ascendente e fará conjunção à Lua. Grandes mudanças em temos pessoais. Possibilidade de questões físicas.
45 anos – começa um novo ciclo de 29 anos. Saturno conjunção ao Ascendente e Lua.
46 e 47 anos – Plutão em trânsito fará oposição ao Sol.
Saturno percorrerá a casa 1.
Tempos importantes.
49 a 51 anos – Sol converso em oposição a Netuno e quadratura com Vênus. Ascendente direto em oposição a Vênus e quadratura a Netuno.
50 a 52 anos – Meio do Céu direto em conjunção a Netuno e quadratura com Vênus.
Entre 49 e 52 anos a quadratura Vênus/Netuno estará muito ativada, portanto serão anos de grande vulnerabilidade, decepções  e confusões.

Conclusão:

Para validar a proposta de projetar a vida através do desenvolvimento do Mapa Natal, procuramos demonstrar a possibilidade de obtenção de um grande número de informações através da observação e movimentação simplificada do Mapa.

A proposta para ampliar a visão do Mapa Natal nada tem a ver com o trabalho de orientação anual que fazemos. O estudo do ano inclui técnicas como Revoluções Solares e Eclipses, que são muito importantes para  o detalhamento das condições que poderão apresentar-se no ano pessoal.

Bibliografia

Celisa Beranger – A Evolução Através das Progressões – Espaço do Céu – Rio de Janeiro, Brasil. 2001
Silvina Simonovich – Tecnicas de Prediccion – Editorial Kier – Buenos Aires, Argentina. 2004

Rio de Janeiro, 26 de outubro de 2010.

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