Artigos

O Equinócio de Áries

Celisa Beranger em 25 de março de 2006

CÍRCULOS MÁXIMOS

Os dois círculos máximos do céu são o Equador celeste e a Eclíptica (inclinada 23º 27′ em relação ao Equador). A relação entre eles dá origem aos Equinócios e Solstícios, que são os 4 pontos cardeais celestes.

A passagem do Sol por estes pontos marca o começo das estações.

Os 4 pontos cardeais são a referência principal para a Astrologia Tropical, porque marcam o 0º grau dos signos cardeais ou cardinais: Áries, Libra, Câncer e Capricórnio.

equinocio_aries

EQUINÓCIOS

São os dois pontos de encontro dos dois círculos, Equador Celeste e  Eclíptica (o caminho aparente do Sol, que na realidade corresponde à órbita da Terra em torno do Sol). Estes dois pontos correspondem ao 0º dos signos de Áries e Libra.  O Sol cruza estes pontos em 20 de março e 23 de setembro dando início, respectivamente,  ao  Outono e Primavera do Hemisfério Sul e o inverso para o Hemisfério Norte. Apenas nestas datas o tempo de duração do dia e da noite é igual.

No Equinócio de Áries, denominado como Vernal (da primavera), 20 de março, o Sol está cruzando o Equador do Hemisfério Sul celeste para o Hemisfério Norte. No Equinócio de Libra, 23 de setembro, ao contrário ele está deixando o Hemisfério Norte e entrando no Hemisfério Sul.

 SOLSTÍCIOS

Correspondem aos pontos em que o Sol alcança seu maior afastamento do Equador e onde parece deter-se antes de voltar a aproximar-se dele. As datas de 21 de junho e 21 de dezembro, quando o Sol alcança estes pontos, marcam o começo do Inverno e Verão para o Hemisfério Sul  e o inverso para o Hemisfério Norte. Este posicionamento do Sol  corresponde às datas de  maior desigualdade entre o tempo de duração dos dias e das noites.

No Solstício de Câncer, 21 de junho, o Sol está no Hemisfério Norte em sua maior distância do Equador Celeste. No Solstício de Capricórnio, 21 de dezembro, o Sol está no Hemisfério Sul em sua máxima distância.

equinocio_aries2

OS TRÓPICOS  DE CÂNCER E CAPRICÓRNIO

Os pontos dos Solstícios correspondem a círculos celestes menores, que na Terra deram origem aos paralelos denominados  trópicos:  Câncer no Hemisfério Norte e  Capricórnio no Hemisfério Sul. Estes dois paralelos terrestres delimitam  a zona de clima tropical.

No Rio de Janeiro estamos, praticamente, no Trópico de Capricórnio pois nossa latitude é 22º 54′ sul e o Trópico tem como latitude 23º 27′, que corresponde à inclinação da Eclíptica em relação ao Equador celeste.

 O EQUINÓCIO VERNAL E O CALENDÁRIO

Este ponto foi uma referência  muito importante para a determinação do nosso calendário.

Desde que o homem descobriu que podia contar o tempo pelo céu, a referência era baseada no ciclo da Lua. Sabemos que até hoje muitas culturas ainda utilizam o ciclo lunar para  seus calendários, como é o caso do judaico, chinês e muçulmano.

Porém, em um dado momento, o homem se deu conta de que a referência mais fácil e exata para a contagem do ano era o ciclo do Sol.

O primeiro calendário a considerar o intervalo de tempo entre duas passagens do Sol pelo Equinócio Vernal, Ano Trópico, para dimensionar o Ano Civil, foi instituído pelo Imperador romano Julio César, em 46 a.c., e recebeu a designação de juliano em homenagem ao  seu patrocinador.

No tempo de Julio César, a duração do Ano Trópico era de 365 e 6 horas, e por este motivo, a cada 4 anos foi colocado um dia a mais nos  365 dias do ano, instituindo  assim o ano bissexto.

Desde o séc IV d.C. os homens sabiam que o tempo do Ano Trópico não estava preciso. Embora, aparentemente pequena, calculada em de 11 minutos, esta diferença  acumulada através dos anos fez com que o Ano Civil se atrasasse com relação ao Sol.

Este atraso começou a causar problemas devido à diferença na entrada das estações, com conseqüências para a agricultura, pesca e também para as festas religiosas, reguladas pelo movimento do Sol.

A partir do começo séc XV, os Papas, que dirigiam não apenas a vida espiritual, mas também a vida material dos homens, começaram a receber muitas solicitações para que fosse efetuada a reforma do calendário.  O Papa Sisto IV dispôs-se a promover esta reforma, e para isto  convidou o nosso conhecido Regiomontanus para coordená-la, mas ele morreu antes de concluir sua missão.

O Concilio de Trento (1562-1563) recomendou a reforma sem mais demora. Gregório XIII, eleito em 1572, após resolver a convulsão em que andava o mundo, em 1577 cuidou de promover a reforma. A reforma  tinha  dois objetivos:  corrigir o atraso de 10 dias do calendário para equipará-lo ao movimento do Sol e evitar que o  novo calendário tivesse a possibilidade de erros como este.

Finalmente, o calendário denominado gregoriano foi estabelecido pela Bula pontifícia de 24 de fevereiro de 1582, que marcou a  data de 4 de outubro de 1582  para que fosse acertado o passo com o Sol. O dia seguinte ao 4 de outubro foi o 15 de outubro  corrigindo a diferença de 10 dias. Na ocasião o Ano Trópico foi considerado com a duração de  365 dias 5 horas 49 min e 12 segundos.

Contudo, desde o século passado, já sabemos que há uma diferença de 26 segundos com relação ao tempo estabelecido pelo calendário gregoriano. O tempo verdadeiro do Ano Trópico é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos. A diferença, agora de apenas 26 segundos, ocasionará a necessidade da correção de um dia no ano 4915 do nosso atual calendário.

 O EQUINÓCIO VERNAL E AS FESTAS RELIGIOSAS

Como exemplo da importância do Equinócio, para marcar as datas religiosas, podemos citar a Páscoa, uma das principais festas católicas. Ela ocorre no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que acontece depois da data do Equinócio Vernal. O ano o Equinócio é no dia 20 de março às 15:37 horas, a Lua Cheia posterior será no dia 13 de abril e o domingo da Páscoa será 16 de abril. A quarta-feira de cinzas é a primeira na contagem de 40 dias para trás com relação ao domingo de Páscoa.

 ASTROLOGIA E POLÍTICA

Os mapas dos Ingressos do Sol nos signos cardinais, juntamente com os mapas de eclipses, são os pontos de partida para todos os estudos na Astrologia política.

O Ingresso referente ao Equinócio de Áries é considerado por muitos como o mais importante dentre os 4, porque indica todo um ano, embora uns poucos prefiram o Ingresso de  Capricórnio por estar mais de acordo com o Ano Civil.

Contudo, o 0º de Áries também foi considerado muito importante para o  enfoque pessoal. Alfred Wite, da escola de Hamburgo, considerava o ponto do Equinócio Vernal como representativo da relação do individuo com o  grupo, as massas,  a nação e o mundo em geral, ou melhor o 0º de Áries é representativo  do mundo em sua globalidade.

Os mapas dos Ingressos são desenhados para a capital do País (embora também possam ser desenhados para qualquer cidade) e, especialmente o de Áries, apresenta as indicações básicas para o ano do País, do governo e do povo.  Os  mapas dos ingressos devem ser comparados com o mapa do próprio governo (quando este teve início), do governante e da nação.

Foi o estudo destes mapas, para 2005, que me permitiu prever a possibilidade de escândalos no governo brasileiro, uma vez que os ingressos de Áries, Câncer e Capricórnio apresentavam Netuno no Meio do Céu em quadratura ao Ascendente, repetindo o mapa da posse de Lula.

Estes mapas começam a funcionar 2 ou 3 semanas antes da passagem do Sol pelos pontos cardeais.

 SOLSTÍCIO DE CAPRICÓRNIO DE 2005

Uma questão, importante teve início no Solstício de 21 de dezembro passado. A conjunção Sol-Plutão foi o ponto de partida para a ligação, em aspecto tenso destes dois astros, que aparecerá em todos os ingressos até  2009.

Esta ligação reforça outras indicações, já presentes, quanto à  intensificação das  mudanças no  mundo em que vivemos. Uma destas indicações é a presença, neste  e no próximo ano, de Plutão  no centro da nossa galáxia. A outra é a quadratura que Plutão fará aos Nodos Lunares no segundo semestre de 2006.

Na Astrologia política o  Sol representa os chefes de governo, lideres e figuras de projeção mundial. As ligações tensas Sol-Plutão, em muitos  ingressos, indicam o afastamento por destituição, doença ou morte de importantes figuras mundias. Isto será mais forte em 2007 e 2008, mas já vimos a doença e afastamento de Ariel Sharon, logo após o Ingresso de Capricórnio, e na semana passada a morte de Islobodan  Milosevitch.

 O MAPA DO INGRESSO DE ÁRIES PARA O BRASIL

equinocio_aries3 equinocio_aries4

Como em qualquer mapa a primeira observação é a presença de planetas junto aos ângulos, especialmente quando isto coloca em evidência um ciclo de planetas lentos, como é o caso da quadratura Júpiter-Netuno, em desenvolvimento desde o início do ano. A presença junto aos ângulos   marca o ingresso e reforça a expressão do ciclo no que se refere ao Brasil. Além do mais, observando os mapas dos demais ingressos e eclipses, verificamos que este é o ciclo que  mais aparece no conjunto de mapas do ano, embora nem sempre esteja angular.

 O CICLO JÚPITER-NETUNO

É um ciclo humanitário idealista e ideológico que envolve processos de caráter social e político de esquerda moderadamente socialista. A quadratura inflaciona fantasias e gera incertezas e inseguranças.  Ideais e valores que acreditamos possíveis podem apresentar-se decepcionantes. E ainda promove escândalos especialmente jurídicos, financeiros e religiosos.

Uma outra questão dos aspectos tensos deste ciclo é a possibilidade de  problemas concernentes às questões marítimas e às companhias de navegação. No início do ano houve um grande naufrágio no Egito e o famoso QueenMary II teve problemas ao bater em um banco de areia. Veremos o que virá pela frente.

Este ciclo está relacionado com a França, porque  a conjunção está presente no mapa de Quinta República. A retomada dos distúrbios recomeçou no dia 16.

O CICLO JÚPITER-NETUNO PARA O BRASIL

Este ciclo ressalta os trânsitos de Netuno em oposição  (presente desde 2005)  e Júpiter em quadratura, ao planeta Vênus do mapa da Independência do Brasil. Isto indica enfraquecimento da moral e dos bons costumes, gastos e extravagâncias e também escândalos, especialmente envolvendo pessoas de posição e dinheiro.

Este contexto  também indica  decepções em acordos e parceiras, fraudes e manobras.

Netuno na casa 7 em quadratura ao Meio do Céu, promove a continuidade da indicação de escândalos envolvendo figuras do governo,  idealismo, mudança de rumo confusa e incerta  e decepções, presentes desde o ingresso de Áries de 2005.

Júpiter no Fundo do Céu favorece a oposição, mas devido a sua quadratura com Netuno, indica complôs, manobras e traição. A Lua, também presente na 4,  indica que a opinião publica favorece a oposição.

 O SOL NO INGRESSO PARA O BRASIL

Suas condições são muito importantes porque é o gerador do mapa.Na casa 8, em quadratura a Plutão na casa 5, indica  mudanças marcantes no governo ou em seu rumo, afastamento de figuras nacionais importantes, por destituição ou morte, como foi o caso do escritor Josué Montelo,  no dia 16, mas isto é apenas o começo. O Sol na casa 8 também indica questões financeiras e Plutão na casas 5  não favorece as especulações e nem os esportes.

 SATURNO

Também angular e junto ao  Ascendente,  indica um ano que não é fácil para o povo, quando esforço é necessário. Além do mais o grau do Ascendente está em quadratura ao Saturno do mapa do Brasil.

No próximo ingresso,  Câncer, Saturno  também estará no Ascendente, mas desta vez em tensão maior, pois lá também estará Marte e ambos em quadratura ao Saturno do Brasil. Neste ingresso a conjunção Marte-Satuno é o ponto focal de uma quadratura T com a Lua e Júpiter. O próximo ingresso deverá ser difícil para o mundo em geral.

 MERCÚRIO

No grau de oposição (14 de Peixes) ao Sol da Independência, do qual é dispositor, está em conjunção com  a cúspide da casa 8, e também em conjunção a Urano  e  quadratura com Marte na casa 11. Tenso, no mapa e em relação ao mapa do Brasil,  indica noticias repentinas e surpreendentes. Além do mais está condição está reforçando  o eclipse Lunar do dia 14 passado (24º de Virgem), em conjunção ao Mercúrio do  Brasil.

No dia do eclipse lunar tivemos o lançamento da candidatura do  Alkimin e logo depois uma nova denúncia envolvendo Palocci, que sem dúvida agora é a bola da vez.

A presença de Marte, na casa 11, em quadratura ao Mercúrio, indica  conflitos e polêmicas com o Congresso, criticas e descontentamento, incerteza nos mercados e incidentes de fronteiras.

 ALGUMAS SUGESTÕES

Para finalizar, estamos em um período preparatório para condições mais  difíceis para o mundo em que vivemos, mas temos que seguir em frente   e por este motivo vou repetir aqui algumas  sugestões, já apresentadas na Mesa de Previsões do SINARJ de 6 de janeiro passado,  que  podem contribuir para uma  maneira melhor de viver  estes tempos difíceis. Sabemos que, boas ou ruins, depende de nós a maneira de encarar e viver as situações. Aqueles que não viram devem procurar ver o filme Quem Somos Nós, um depoimento de 14 homens de ciência, que dentre outras coisas aborda esta questão.

Vamos então às sugestões:

– Excessos devem ser evitados, particularmente quanto a gastos, no sentido de aumento de débitos, devemos levar em consideração a possibilidade de reciclagem. Especialmente no caso do Brasil – devido à dupla ativação da Vênus por Netuno e Júpiter neste começo de ano – coloque limites nos prazeres.

– A vida e sua qualidade precisam ser valorizadas, não deixando para mais tarde um desejo ou objetivo que possa ser realizado agora. Por exemplo, se há dinheiro guardado para uma futura viagem, faça-a agora.

– Os tempos são perigosos para investimentos de risco. Quem não for muito bom nisto não deve especular com dinheiro. É preferivel colocar o dinheiro para trabalhar.

– Preocupem em desenvolver o espírito, não fiquem voltados apenas para as questões temporais e materiais.

 Finalmente, lembrando especialmente a oposição de Saturno em Leão a Netuno em Aquário, mantenha-se com relação às suas prerrogativas pessoais, mas considere os valores humanitários e seja fraterno e solidário para com os demais. E se necessário for, em prol do benefício de muitos, saiba deixar de lado suas próprias prerrogativas pessoais.

 

Rio de Janeiro, 25 de março de 2006

É proibida a reprodução total ou parcial deste texto.