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O Eclipse da Lua e a Quadratura T

Celisa Beranger em 20 de junho de 2010

(apresentação no evento “Eclipses e Solstícios” promovido pelo SINARJ em 20/06/10)

A cada seis lunações a Lua se coloca sobre a eclíptica e no alinhamento Sol, Terra e Lua, que acontece nas Luas Novas  e Cheias, ocorrem eclipses.

Eclipses são Luas Novas e Cheias muito fortes. A Lua Cheia do próximo sábado é um eclipse parcial da Lua,  e na Lua Nova do dia  11 de julho ocorrerá um eclipse total do Sol.

O eclipse lunar pode preceder, como agora, ou suceder o eclipse solar.

Desde julho de 2009 os eclipses lunares estão precedendo os solares e assim será até janeiro de 2011.

O eclipse da Lua do dia 26 não será visível para nós, porque ocorre na parte da manhã. Este eclipse ocorrerá cinco dias após o Solstício de hoje e ambos apresentam uma similaridade. Apesar de ainda não ter ocorrido, o eclipse da Lua em 4º de Capricórnio está atuando desde o dia 12, quando ocorreu a Lua Nova que deu início ao ciclo de lunação ao qual ele pertence.

Os mapas do Ingresso do Sol em Câncer e do eclipse da Lua são importantes porque ressaltam e promovem a atual quadratura T, que vem se formando no céu desde o final do mês de abril. Estes mapas constituem um marco do clima cardinal, inaugurado no final de 2008 com a entrada definitiva de Plutão em Capricórnio.

Há alguns anos a quadratura T chama atenção dos que estudam Astrologia Mundial porque concentra  6 ciclos dissonantes dos planetas lentos.

Mapas do Solstício e da Lua Cheia e a quadratura T

Os dois mapas desta semana transformam a quadratura em um grande quadrado, ou uma grande cruz, como preferirem, e desta forma agregam outras dissonâncias menores que mobilizam as maiores.

A diferença do Mapa do eclipse da Lua para o mapa do Solstício (ingresso do Sol em Câncer) é que ele acrescenta a Lua, que está no mesmo grau de Plutão.

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Plutão em Capricórnio testa todas as estruturas até o limite. Mas sendo o planeta focal da quadratura T, Plutão desafia o status quo vigente e reforça o contexto de tensões e crises em termos políticos, sociais, econômicos, geológicos e ambientais indicados pela presença de três ou mais planetas lentos em signos cardinais, denominado clima cardinal. Este posicionamento  de Plutão enfatiza a necessidade de mudanças fundamentais em diversos aspectos da humanidade e também da nossa própria vida.

Os principais aspectos que formam a quadratura são as tensões de Plutão com Saturno e Urano e as tensões entre estes dois, mas o contexto é ampliado pela participação de Júpiter.

Quadratura Saturno / Plutão – Oposição Saturno / Urano – Oposição Júpiter / Saturno

Conjunção Júpiter / Urano – Quadratura Júpiter / Plutão – Quadratura Urano / Plutão

Vejamos o funcionamento destas tensões.

Por si só a quadratura Saturno-Plutão, ativa desde o final de 2009, a caminho do último aspecto exato em 21 de agosto, já é difícil porque é dada à intolerância e  fanatismo em extremos que levam a confrontos duros. Não podemos esquecer a oposição de 2001, que mudou a história. Mas a quadratura também é relevante em termos econômicos. A minguante é ainda mais restritiva que a crescente. No início do ano apontamos para o fato do endividamento ser uma das palavras-chaves para 2010, especialmente no que se refere a gastos públicos, embora esteja presente também em termos empresariais e até pessoais.

Já constatamos os problemas previstos no interior da Comunidade Européia, sempre mobilizada nos aspectos Júpiter-Saturno, em função do alto nível de endividamento dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) e sua conseqüente ameaça à frágil economia mundial. A Grécia ainda não está equilibrada, e o perigo atual, maior que o da Grécia, é a Espanha porque afeta diretamente Alemanha, Inglaterra, França e Portugal.

Aliás, também no Brasil, em função do aumento dos aposentados e dos elevados reajustes para os servidores da Câmara, os gastos públicos voltaram a ser manchete na semana passada, chamando atenção para a possibilidade de explosão de gastos. Já sabíamos que nos últimos dois anos os custos com os servidores públicos haviam quase dobrado e para 2010 a previsão é de quase 77.000 novos cargos, mas há outras solicitações de reajuste. E como estamos em ano de eleições, os eleitores precisam ser atendidos.

Com relação à exacerbação da intolerância e do fanatismo, constatamos o afundamento do navio da Coréia do Sul em março, e o resultado da cobrança internacional à Coréia do Norte. Houve o corte de relações desta com a Coréia do Sul, destruindo repentinamente um esforço de muitos anos para reaproximação das duas Coréias.

Tivemos também a repercussão negativa do ataque de Israel a um comboio humanitário para Gaza preparado por uma instituição turca. Nesta semana deverá chegar outro comboio turco e também um navio do Irã. As tensões levaram Israel a aliviar o bloqueio, mas a passagem dos navios não será permitida.

Aliás, nestes tempos o Irã é um perigo. Em 16 de junho, apesar das sanções do Conselho de segurança da ONU, com voto contrário apenas do Brasil e da Turquia, o Presidente Ahmadinejad voltou a desafiar a pressão internacional anunciando a construção de mais 4 reatores  e hoje impediu a entrada de dois inspetores da Comissão Internacional de Energia Nuclear.

De qualquer forma esta não é uma boa semana para tensões.

Urano e Júpiter participando da figura, e ainda por cima em Áries, são perigosos, porque incentivam a contestação do poder constituído e a não aceitação de imposições. Promovem tensões para forçar as mudanças de modo audacioso, sem qualquer preocupação com o risco que a audácia pode ocasionar.

Outra questão da quadratura Saturno-Plutão, reforçada também pela participação de Urano, são os problemas geológicos. Nos quatro primeiros meses deste ano o mundo presenciou uma grande quantidade de tremores e dois terríveis terremotos, no Haiti (3 dias antes do eclipse do Sol de 15/01) e no Chile, em fevereiro e com Tsunami, bem de acordo com a presença de Urano em Peixes. E a erupção do vulcão da Islândia, que parou os vôos na Europa durante 8 dias. Tomara que o irmão dele não se movimente, pois segundo o presidente do país, ele costuma entrar em erupção 6 meses após o irmão.

E o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos? Desde 20 de abril ainda continua o vazamento que resultou da explosão na plataforma da British Petroleum. Embora a oposição Saturno-Urano seja dada a acidentes que mostrando que a tecnologia não é infalível, este acidente também chamou atenção para a necessidade da preocupação com a defesa do meio ambiente e levará a medidas para impedir sua repetição. Sem dúvida, apesar de o acidente ter ocorrido seis dias antes da quarta oposição Saturno-Urano, ele pode ser considerado como resultante da conjugação com Plutão. Além do mais, neste caso não foi encontrada uma solução rápida e inovadora que algumas vezes é promovida pela oposição Saturno-Urano.

De qualquer forma, o ciclo Saturno-Urano é fortemente ligado à economia e dado a crises repentinas de instabilidade e volatilidade nas bolsas. A crise atual começou na Lua Cheia de setembro de 2008, na aproximação da primeira oposição exata.

Mas as crises repentinas não são apenas em termos econômicos, mas também políticos, sociais ou geológicos. Estamos a caminho da última oposição exata, em 26 de julho, no grau zero Áries-Libra, que ocorrerá com Marte já participando da quadratura T prestes a entrar em Libra. Portanto, o período que vai até o início de agosto é dado a sobressaltos. Tomara que, se isto ocorrer, possa ser encontrada uma solução rápida.

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O Brasil poderá ter alguma questão econômica ou receber as conseqüências de uma situação internacional, uma vez que nosso Plutão é em 0º de Áries.

Outra questão concernente à oposição Saturno-Urano são os problemas climáticos. O inverno no Hemisfério Norte foi muito duro e o verão do Hemisfério Sul foi abrasivo. Com Plutão envolvido os extremos são concernentes.

Podemos lembrar também as constantes inundações, em diversos locais do nosso planeta. Agora o Brasil está sendo atingido no Nordeste e a China no Sul, uma calamidade que afeta 10 milhões de pessoas.

A previsão dos meteorologistas para a temporada de tornados neste ano é de um número bem maior que a média. E isto já está sendo comprovado pois, na semana passada, só no estado americano de Minnesota foram 36 tornados.

A conjunção de Júpiter com Urano está promovendo a quadratura Urano-Plutão, porque os 7 aspectos  exatos desta quadratura só ocorrerão entre 2012 e 2015 e eles  tornarão a recuperação da crise global mais lenta e difícil. Esta quadratura é dada a rupturas e desobediência civil, mas surgem figuras para apontarem o fim e promoverem a ruptura. Provavelmente elas serão da geração nascida entre 63 e 68, durante a conjunção destes dois planetas.

Alguns países citados possuem posições no início dos signos cardinais e, desta forma, o eclipse da Lua pode ser importante para eles.

Afeganistão – Plutão 2º de Libra
Brasil – Plutão 0º de Áries, Netuno em 2º e Urano em 3º de Capricórnio
China – Urano a 4º de Câncer
Coréia do Norte – Urano 0º de Câncer
Espanha moderna – Marte 0º de Câncer
Estados Unidos – Vênus 3º e Júpiter 5º de Câncer
Irã – Lua 6º de Áries.
Israel – Vênus – 4 º de Câncer
Paquistão – Marte 0º de Câncer.

Observação: No artigo “2010- O Clímax do Clima Cardinal” podem ser encontrados os dados para o os mapas destes países

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Para o Brasil o eclipse tanto ativa a conjunção de Plutão em trânsito com Urano e Netuno como a conjunção de Urano e Júpiter com Plutão.

Duração e ativação dos eclipses

Os eclipses possuem uma atuação de seis lunações, até que outro similar ocorra. Então como o próximo eclipse da Lua será em 21 de dezembro, o do dia 26 próximo estará atuando até lá. Este eclipse pode repicar daqui a 3 meses, na Lua Cheia de 23 de setembro, em 0º de Áries (mesmo dia do Equinócio), porque esta posição faz quadratura com o grau do eclipse atual. Além do mais, esta posição ativará a segunda conjunção Júpiter-Urano, exata no dia 18 de setembro em 28º44’ de Peixes.

Um exemplo da ativação que ocorre 03 meses após o eclipse foi o que tivemos em abril passado. No próprio dia do eclipse lunar, 31 de dezembro de 2009 em 10º de Capricórnio, houve o desmoronamento na Ilha Grande, em Angra dos Reis, inundações na baixada fluminense e no interior de São Paulo. No início de abril, durante a fase da Lua Cheia de 29 de março em 9º de Libra, ocorreu o desmoronamento em Niterói e em alguns morros do Rio.

Interpretação dos eclipses nos mapas pessoais.

Quando o eclipse lunar antecede o solar, ele pertence a um ciclo de lunação diferente daquele que o eclipse solar inicia. Neste caso, as duas semanas que separam os dois eclipses correspondem à fase decrescente do ciclo de lunação, enquanto quando o eclipse lunar  sucede o solar, ele pertence ao mesmo ciclo do eclipse solar e as duas semanas que os separam  estão na fase crescente.

Em termos pessoais há uma diferença na interpretação para estas duas condições. Quando o eclipse lunar ocorre antes, como agora, ele corresponde a uma fase de preparação para o que será apontado pelo eclipse solar subseqüente.

Contudo, quando o lunar sucede o solar, ele aponta com mais clareza a necessidade de ação para o desenvolvimento do que estiver indicado pelo eclipse solar e, desta forma, apóia o eclipse solar.

Sem dúvida, as pessoas que possuem os luminares ou planetas importantes, no final dos mutáveis ou no início dos cardinais, são as que estão passando pelos maiores desafios.

Mas independente da existência de pontos ou planetas em posições que estão sendo ativadas, é importante observar as casas da polaridade natal onde se localiza o eclipse lunar, pois seus assuntos adquirem proeminência e demandam atenção para solução do que não estiver satisfatório. Sem dúvida, se o eclipse formar aspecto com um planeta natal as questões serão mais fortes e, no caso de trígono ou quadratura, podem envolver os assuntos da casa na qual o planeta estiver.

Embora o céu não estivesse com as tensões atuais, eclipses anteriores ativando graus muito próximos do eclipse atual podem permitir relembrar temas mobilizados naquelas ocasiões, quando as mesmas casas e planetas natais foram mobilizados.

Seguindo o ciclo de Meton, 19 anos atrás, em 27/06/1991, ocorreu um eclipse lunar no grau 5 de Capricórnio. Em 25/12/2000 ocorreu um eclipse do Sol em 4º de Capricórnio e em 24/06/2002 um eclipse da Lua em 3º.

Para terminar, quero lembrar o que venho ressaltando com relação à ênfase nos signos cardinais. O tempo é de ação – agir sobre o que foi planejado ou considerado, antes que os acontecimentos forcem a ação.

Rio de Janeiro, 26 de junho de 2010.

Proibida a repetição parcial ou total deste texto.