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As Crises e a Movimentação da Parte da Fortuna – Através do Método das Profecções

Maria Virginia da Franca C. Fernandes em 20 de julho de 2009

(Palestra no XI Simpósio do SINARJ – 27 e 28 de junho de 2009)

Neste Painel, vou apresentar um método antigo de previsão, simples, que pode ser utilizado hoje como mais uma técnica importante para a identificação de épocas de crises e dificuldades, por um lado, e de momentos favoráveis, por outro.

Meu interesse pelas técnicas dos primórdios da Astrologia foi despertado pela minha participação no Grupo de Estudos coordenado pela Celisa Beranger, no Espaço do Céu, onde estudamos diversos autores antigos, como Dorotheus e Vettius Valens, e várias técnicas interessantes que podem ser aplicadas aos mapas atuais, tais como: Partes, Mapa da Concepção, Profecção, etc. Assim, só posso estar apresentando essa palestra porque participei, durante alguns anos, desse grupo.

Para aplicação desse método tradicional, vamos precisar utilizar algumas técnicas antigas, de uma forma simplificada, como vamos ver mais adiante.

A Profecção é o método simbólico de previsão mais antigo, sendo anterior, inclusive, às Direções e Progressões.

Dessa forma, é um tipo de direção astrológica. Corresponde ao movimento, de um planeta ou ponto natal, de um signo inteiro por ano, ao longo da vida da pessoa (como a Progressão corresponde ao movimento de um grau por ano). Assim, também é possível considerar profecções por períodos menores, como meses (um signo por mês) ou dias (um signo por dia).

Agora, vou citar algumas premissas importantes para a utilização da técnica das profecções:

Vamos trabalhar com mapas que utilizam o primeiro sistema astrológico, o Sistema de Signo-Casa, onde cada signo inteiro corresponde a uma casa, sem levar em conta os graus. Nesse sistema, o signo do Ascendente define a primeira Casa, e assim sucessivamente. Por exemplo, se o Ascendente está a 27 graus de Virgem, todo o signo de Virgem vai assumir o significado da Casa 1. Resumidamente, podemos dizer que as casas correspondem aos signos avaliados em função de sua relação com o Ascendente. Assim, vamos trabalhar com um desenho de mapa diferente do atual, mas de visualização fácil, como veremos adiante. Vamos poder observar que a Parte da Fortuna, por exemplo, pode estar na Casa 6 de um mapa desenhado com Casas de Placidus, mas pode estar no Sétimo Signo a partir do Ascendente (o mapa pode ter casas interceptadas, ou a Parte da Fortuna pode estar num grau baixo, etc.).

Vamos chamar as Casas de Lugares, nomenclatura mais de acordo com a época em que essa técnica era usada. Os antigos não consideravam as divisões de casas atuais.

Vamos trabalhar com aspectos em função da relação entre signos, sem levar em conta os graus do planeta ou do ponto analisado, sem considerar orbes. Assim, se a Profecção cair em Gêmeos, estará sempre em oposição a todos os planetas em Sagitário no mapa natal, independente do grau em que este planeta estiver. Se cair em Virgem, vai fazer quadratura com qualquer planeta que estiver em Gêmeos. E vamos considerar apenas os aspectos mais tradicionais: conjunção, quadratura, trígono e oposição.

O método da Profecção pode ser aplicado a qualquer planeta ou ponto natal. Mas ele é aplicado principalmente ao Ascendente, Sol, Lua, Meio do Céu e Parte da Fortuna (como vamos ver aqui).

Identificamos duas formas de cálculo da Profecção:

A primeira, a tradicional, que vamos aplicar em nossos exemplos, considera que o planeta ou signo avança um signo inteiro por ano, independente do seu grau. Assim, caso a Parte da Fortuna esteja localizada a 29 graus de Áries, considera-se que ela está em Áries e que, em 1 ano, vai movimentar-se para o signo de Touro.

A segunda, adotada por astrólogos medievais e modernos, considera o avanço do planeta ou ponto de 30 graus por ano. Por exemplo, a Profecção da Parte da Fortuna localizada no grau 15 de um signo avança anualmente para o meio do signo seguinte. Somente quando uma posição movimentada está a zero grau de um signo é que muda de signo na época do aniversário. Uma posição nos graus iniciais de um signo muda de signo imediatamente antes do aniversário, e uma posição nos últimos graus de um signo muda por profecção imediatamente após o aniversário.

É importante frisar que, a cada 12 anos, a Profecção volta ao signo do planeta ou ponto natal que está sendo movimentado. Isso acontece com 12, 24, 36, 48, 60, 72 e 84 anos, como podemos observar no mapa a seguir:

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Esse gráfico tem por objetivo facilitar a visualização do método e a localização do signo onde cai a profecção numa determinada idade. Por exemplo, com 6 anos (18, 30, 42, 54, 66, 78 e 90 anos), a profecção vai estar no sétimo signo a partir do signo do ponto que está sendo movimentado (contando este, inclusive). Com um ano, a profecção muda para o signo seguinte ao Ascendente, e assim por diante. Podemos dar mais um exemplo: com 34 anos, a profecção vai estar no 11º signo a partir do signo da posição natal.

O número de signos que o planeta ou ponto andou também pode ser calculado por uma fórmula matemática.

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Soma-se 1 à idade da pessoa e deduz-se desse valor o múltiplo de 12 imediatamente inferior à sua idade.

Por exemplo, para determinar em que signo cai a Parte da Fortuna natal em Áries de uma pessoa com 41 anos, soma-se 1 a este número, o que dá 42, e deduz-se de 42 o número 36 (múltiplo de 12 imediatamente anterior ao número 41, que é a idade da pessoa). 42 menos 36 é igual a 6. Em seguida, temos que contar 6 signos a partir de Áries, Áries inclusive, e podemos concluir que a Parte da Fortuna dessa pessoa, aos 41 anos, vai estar em Virgem.

Como vocês podem ver, a cada doze anos, a Profecção volta ao signo do planeta ou ponto natal em estudo. Entretanto , isso não quer dizer que eventos semelhantes irão se repetir. Como sabemos, tanto a própria evolução da vida, quanto os trânsitos, as progressões, as indicações da Revolução Solar trazem circunstâncias diferentes com as quais a pessoa se depara. Entretanto, podemos observar que, nessas épocas, podem ocorrer eventos de natureza similar, ou seja, podemos visualizar melhor os efeitos de uma profecção examinando os problemas vividos 12 anos antes. Por exemplo, a pessoa pode casar-se num ciclo e, 12 ou 24 anos após, ter problemas com esse casamento ou com alguma parceria em que esteja envolvida. Ou pode arrumar um emprego num ciclo, e ser mandada embora, ou ter uma promoção em outro.

Agora, vou apresentar, em linhas gerais, como deve ser interpretada uma profecção. Em primeiro lugar, temos que analisar o signo em que cai a profecção (mesmo que não haja planetas aí). Em seguida, olhamos o regente deste signo e suas condições. Segundo Valens, também devem ser observados o signo da Profecção e seu regente no mapa da Revolução Solar.

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Como nós vamos falar da Profecção da Parte da Fortuna, vou apresentar resumidamente os conceitos básicos deste ponto tão importante.

Em primeiro lugar, vamos falar do seu cálculo que, de acordo com os astrólogos mais antigos, é diferenciado para nascimentos diurnos e noturnos.  A ampla utilização da mesma fórmula para nascimentos diurnos e noturnos decorreu do fato desta técnica ter chegado ao nosso conhecimento através de Ptolomeu, no Tetrabiblos, que foi o único a utilizá-la com fórmula única.

Para os antigos, o fato de um mapa ser diurno ou noturno influenciava sua interpretação. Naquela época, a Astrologia era baseada na observação direta do céu e, assim, a alternância do dia e da noite tinha uma influência muito forte na vida do homem. Dessa forma, para o astrólogo helenista havia uma grande diferença entre um mapa diurno (ou seja, com o Sol acima do horizonte) e um mapa noturno (com o Sol abaixo do horizonte).

Então, para podermos calcular a Parte da Fortuna, precisamos entender basicamente que, no mapa diurno, o Sol está acima do horizonte, ou seja, no hemisfério superior, das Casas 7 à 12. E, num mapa noturno, o Sol está abaixo do horizonte, ou seja, das Casas 1 a 6.

A Parte da Fortuna também é chamada de Parte da Lua (há uma Parte para cada um dos sete planetas) e, como vocês sabem, envolve os três pontos mais importantes do mapa: Sol, Lua e Ascendente.

Nos mapas diurnos, a Parte da Fortuna é calculada somando-se, ao Ascendente, a distância do Sol à Lua (o arco entre o Sol e a Lua, partindo-se do Sol para chegar à Lua), ou seja, a Parte da Fortuna é igual ao Ascendente mais Lua menos Sol. E, nos mapas noturnos, a Parte da Fortuna é calculada somando-se ao Ascendente a distância da Lua ao Sol.

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Para melhor entendimento desse cálculo, podemos observar, graficamente, num mapa diurno (peço para considerarem, no desenho, que o Sol estaria um pouco acima do horizonte, e não exatamente onde aparece), que vamos somar ao Ascendente a distância que o Sol leva para chegar à Lua, nosso ponto de referência. E, num mapa noturno, vamos somar ao Ascendente a distância que a Lua leva para chegar ao Sol (nosso ponto de referência, num mapa noturno).

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Vamos, então, lembrar os conceitos básicos da Parte da Fortuna. As Partes são um dos instrumentos mais antigos da Astrologia. Entretanto, são amplamente conhecidas como Partes Arábicas, por terem sido difundidas em nossa cultura através de textos árabes. Mas elas vêm de Hermes Trimegistus, e a Parte da Fortuna é a mais importante delas.

A Parte da Fortuna dá indicações sobre o corpo físico, a própria vida e seu desenvolvimento. Indica o que é acumulado pela pessoa ao longo da vida em termos de bens, posses e também prestígio e reputação. Segundo Valens, é o lugar mais importante para esclarecer a questão da felicidade e da sorte. Mostra a bagagem potencial indicada pelo mapa, o que a pessoa alcança mais por sua boa sorte do que como resultado do seu esforço.

Para Valens (e também anteriormente, para Manilius), a Parte da Fortuna é tão importante que pode ser utilizada como o Ascendente ou ponto de partida de um outro mapa da pessoa, de grande importância que pode ser considerado complementar ao mapa natal. Aliás, Valens dá à Parte da Fortuna o mesmo nível de prioridade que ao Ascendente.

A interpretação original da Parte da Fortuna dá grande importância à sua localização. Para fazermos essa primeira observação, primeiro é preciso conhecer, resumidamente, o conceito antigo dos lugares astrológicos, que também pode ser aplicado em nossos mapas atuais.

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Após observar o local onde cai a Parte da Fortuna, para ter uma primeira ideia sobre a sorte da pessoa, vamos observar a relação por signo com os planetas, levando em consideração sua classificação básica usada pelos antigos, como benéficos e maléficos.

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A propósito, é bom lembrar que a denominação de planeta benéfico ou maléfico não tem a ver com a nossa interpretação atual destes termos, mas com as qualidades primitivas dos planetas. Na realidade, os planetas benéficos são os mais úmidos, e os maléficos são os mais secos e, portanto, mais difíceis.

Assim, após analisarmos a localização da Parte da Fortuna e suas relações, temos que observar, da mesma forma, seu regente: sua localização e suas relações.

Um outro ponto importante é verificar se há relação entre a Parte da Fortuna e seu regente, o que pode beneficiar ou dificultar a sorte da pessoa.

É interessante também considerar, como Valens sugeriu onde se localiza o regente da Parte da Fortuna no mapa desenhado com a Parte da Fortuna como Ascendente.

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Agora, que já apresentamos o método das Profecções, bem como relembramos os conceitos básicos da Parte da Fortuna, vamos nos voltar para a interpretação da Profecção da Parte da Fortuna.

Vettius Valens indica a seguinte interpretação para a Profecção da Parte da Fortuna:

Se a Profecção cai em lugares prósperos, com benéficos presentes ou fazendo aspecto, indica períodos favoráveis, quando são encontradas soluções para os problemas pessoais, quando a pessoa consegue reconhecimento e boa reputação, apoio dos superiores e dos amigos, recebe benefícios e presentes.

Se a Profecção cai em lugares desfavoráveis, com maléficos presentes ou fazendo aspecto a eles, indica períodos de crise, perdas de oportunidades, contradições. A pessoa pode fazer erros de julgamento, sobrecarregar os outros com seus problemas ou, ainda, atrair perigos.

Agora, vou apresentar alguns exemplos, com base no Método Tradicional.

Relembrando, vamos considerar a profecção de um signo por ano, sem levar em conta os graus da Parte da Fortuna. Os aspectos considerados serão a conjunção, a quadratura, o trígono e a oposição. Vamos começar nossa análise levando em conta apenas os 7 planetas originais, como os antigos: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Em seguida, vamos fazer algumas considerações adicionais introduzindo Urano, Netuno e Plutão na análise.

Nesse momento, gostaríamos de lembrar que, em Astrologia, um acontecimento importante nunca é indicado apenas por uma técnica. Assim, é importante também verificar as indicações de outros tipos de previsão.

Nosso primeiro exemplo é o mapa de uma mulher, que nasceu no Rio de Janeiro, em 14 de março de 1967.

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Sua Parte da Fortuna está em Touro no Lugar 2, que não é favorável. Além disso, está oposta a Marte, indicando confrontos e oposições ao longo da vida. Seu regente, apesar de ser o planeta benéfico Vênus, está em Áries, onde não está à vontade, pois é o signo de seu exílio. Essa Vênus, apesar de estar num local favorável, o Lugar 1, está no mesmo signo da Lua e de Saturno, e faz uma quadratura a Júpiter. De certa forma, os benefícios que podem ser trazidos por Vênus encontram dificuldades ou são retardados. Essa condição geral desfavorável é ampliada quando observamos que, no mapa da Parte da Fortuna como Ascendente, Vênus está no Lugar 12.

Se trazemos Urano, Netuno e Plutão para esse quadro, vamos encontrar Netuno também em oposição à Parte da Fortuna, conjunto a Marte. De certa forma, esta posição pode confundir os rumos da vida. Por outro lado, o trígono com Urano e Plutão traz oportunidades e condições inesperadas que podem indicar novos caminhos mais favoráveis.

Nesse caso, vamos examinar o ano de 2003, quando ela separou-se e terminou a sociedade comercial que possuía junto com o marido. Na época, também perdeu algum dinheiro por ter abandonado o apartamento em que morava e que estava comprando, tendo que continuar a pagar sua parte nas despesas, mesmo sem estar lá.

Além disso, na época de seu aniversário, soube que tinha tido câncer na tireoide. Em fevereiro, ao operar um nódulo na tireoide, descobriu que este era maligno. Depois, quase teve um choque anafilático após a operação, devido a alergia a um medicamento.

Tudo isso já está superado hoje, ela ficou curada do câncer e tomou um novo rumo na carreira, além de já ter se casado novamente.

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Vamos ver que, em 14 de março de 2003, ela fez 36 anos. Nesse caso, é fácil localizar a profecção, pois 36 é múltiplo de 12. Vemos que a Profecção retornou ao signo natal da Parte da Fortuna. Assim, tudo o que a Parte da Fortuna natal prometia tinha mais probabilidade de ocorrer.

Pelo cálculo matemático, teríamos que somar 1 ao número 36, chegando a 37. De 37, deduzimos o múltiplo de 12 imediatamente anterior e chegamos novamente a 36, indicando que a Profecção coincide com a Parte da Fortuna natal, ou seja, a Profecção encontra-se na Casa 2 natal, em Touro. Como eu disse, todas as condições natais são reforçadas.

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Na Revolução Solar, o signo natal da Parte da Fortuna encontra-se no Lugar 5, que é um local favorável. Entretanto, ele está em quadratura com Vênus e Júpiter, indicando também as dificuldades enfrentadas, mas em trígono com Marte, impulsionando-a a agir e a romper o casamento e a sociedade. Vênus, regente da profecção, encontra-se num local desfavorável na Revolução Solar, o lugar 2, mas trígono a Saturno e oposição a Júpiter. Já vimos que ela conseguiu superar as dificuldades.

Se introduzimos os planetas geracionais, podemos observar que a Profecção, na Revolução Solar, além da quadratura com Vênus e Júpiter, está também em quadratura com Netuno, em conjunção ao seu regente, Vênus, indicando as decepções por que passou.

Vamos, então, passar para o segundo exemplo. É o mapa também de uma mulher, que nasceu em Porto Alegre , em 27 de novembro de 1953. Para determinar a Profecção, vamos usar o mapa natal. Entretanto, como ela vive no Rio de Janeiro, vamos considerar a Revolução Solar no Rio de Janeiro.

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Sua Parte da Fortuna está em Capricórnio, no Lugar 10, lugar favorável, indicando tendência a sucesso e realização no mundo. Entretanto, há dificuldades e enfrentamentos para essa realização, apontadas pela quadratura de Marte em Libra, em exílio, mas que é muito forte em seu mapa natal.

O regente da Parte da Fortuna, Saturno em Escorpião, maléfico, encontra-se no Lugar 8, desfavorável e sem aspectos no mapa convencional, trazendo uma certa rigidez, dificuldades e atrasos para essa realização. Porém Saturno, considerando Sistema Signo-Casa, está em conjunção com Mercúrio e Vênus, reprimindo ainda mais sua expressão. A quadratura com a Lua em Leão torna a situação mais dramática.

Por outro lado, no mapa da Parte da Fortuna como Ascendente, seu regente está no Lugar 11, o Bom Espírito, júbilo de Júpiter, ajudando-a, mas só depois dela enfrentar algumas dificuldades.

Quando introduzimos os planetas geracionais, observamos que a Parte da Fortuna, além da quadratura com Marte, está também em quadratura com Netuno, em conjunção com Marte, no Lugar 7, indicando enganos e ações confusas, especialmente nas relações pessoais. A quadratura com Plutão, conjunto com a Lua, mostra as dificuldades pessoais com as quais a pessoa se depara. A oposição de Urano, que também podemos observar, traz condições para mudanças de rumo inesperadas.

Nesse caso, vamos verificar os acontecimentos de 2008-2009. Na época do seu aniversário, os problemas que ela vinha vivendo com o marido, estrangeiro e alcoólatra (não assumido), se exacerbaram, culminando com ameaça de agressão física. Ela teve que sair de casa e aguardar uma ordem judicial para que ele saísse e ela pudesse voltar para casa. Isso aconteceu entre março e abril deste ano quando, finalmente, ele foi deportado de volta para seu país, por estar desequilibrado e sem meios de se manter aqui. Isso apesar das tentativas dela de chegar a uma situação mais conciliadora.

Essa separação, certamente, também vai significar alguma perda financeira para ela, por ter se casado em comunhão de bens. Entretanto, a maioria de suas economias foi salva por estar aplicada por um investimento blindado e incomunicável.

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Nessa época, ela estava com 55 anos. Assim, graficamente, podemos começar o mapa de referência com o local da Parte da Fortuna, ou seja, Capricórnio, no Local 10, que corresponderia aos 48 anos (múltiplo de 12 imediatamente inferior a 55). Adicionando uma idade a cada lugar, aos 55 anos chegamos a Leão, no Lugar 5, onde se encontra a Profecção.

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O lugar da Profecção é favorável. Entretanto, ali se encontra a Lua, que sabemos estar conjunta a Plutão, mostrando instabilidade e emoção envolvidos, num local de riscos e que fala das questões amorosas. Além disso, a profecção está em quadratura com Mercúrio, Vênus e Saturno, indicando grandes dificuldades a serem enfrentadas. Mas está em trígono com o Sol, regente da Profecção, e isto lhe deu forças para que ela superasse uma situação que vinha se arrastando já há algum tempo.

O regente da Profecção, o Sol, em Sagitário, no Lugar 9, trígono com a Lua e oposição com Júpiter, favoreceu sua ação, tendo em vista as circunstâncias pelas quais passou.

Na Revolução Solar, o signo da Profecção encontra-se no Lugar 1, favorável, mas prejudicado pela quadratura com a Lua. Além disso, o trígono com o Sol, Mercúrio e Marte contribuiu para que tudo chegasse a um bom êxito.

O, regente da Profecção, na Revolução Solar, está também no Lugar 5, favorável, conjunto a Mercúrio e a Marte, e quadrado com Saturno. Ela teve que ficar quase um mês fora de casa para conseguir voltar e retomar seu lugar. E ele só foi deportado cerca de um mês depois, causando vários aborrecimentos a ela durante esse tempo.

Se considerarmos os planetas geracionais, vemos que a situação fica mais dramática, uma vez que a profecção cai em Leão, conjunta a Lua, que é conjunta também a Plutão. O regente da Profecção, por sua vez, faz um trígono com Plutão e uma oposição a Júpiter, reforçando o que falamos anteriormente.

Na Revolução Solar, o signo da Profecção está em oposição a Netuno, no Local 7, indicando, finalmente, o reconhecimento de uma grande decepção por ela. O regente dessa Profecção na Revolução, o Sol, além da quadratura com Saturno, está também em quadratura com Urano. Houve demora na concretização do rompimento, tentativa de torná-lo mais equilibrado, mas isso não foi possível.

Complementando todo esse quadro, é importante lembrar que Plutão, em Capricórnio, está exatamente fazendo uma conjunção com a Parte da Fortuna natal, a 2 graus de Capricórnio, mostrando como um método pode confirmar outro na indicação de períodos críticos na vida de uma pessoa.

Gostaria de finalizar colocando que entendo que essa é mais uma técnica interessante e útil e que pode nos ajudar, como astrólogos, a indicar períodos importantes da vida das pessoas.

 

Rio de Janeiro, 21 de julho de 2009

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